Queda no faturamento das lavouras, dificuldades de comercialização e desaceleração do PIB para 2009

Orçamento terá mais R$ 1,5 bilhão para a comercialização da safra 2008/2009

Kátia Abreu critica ausência de política de garantia de renda ao produtor rural

Etanol terá US$ 92 bilhões nos EUA

Queda no faturamento das lavouras, dificuldades de comercialização e desaceleração do PIB para 2009

Dificuldades de comercialização, maior rigidez na concessão do crédito rural, redução de 8% no uso de fertilizantes nas lavouras e queda da área plantada na safrinha de milho 2009. Estas são as expectativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), divulgadas hoje pela nova presidente da entidade, senadora Kátia Abreu. As estimativas divulgadas pelo Governo confirmam a queda de 5% na produção agrícola, o que poderá se agravar em alguns Estados por problemas climáticos. Essa safra já foi plantada com dificuldades de crédito e alto custo financeiro, o que poderá comprometer a renda do produtor rural em 2009. As projeções do Valor Bruto da Produção (VBP) apontam para a queda do faturamento da atividade no próximo ano, de R$ 298,64 bilhões para R$ 273,08 bilhões.

Esse desempenho tende a comprometer o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio, que vem desacelerando nos últimos meses. “O setor de insumos foi responsável pelo forte crescimento do PIB, em 2008”, explica a presidente da CNA, destacando que a safra recorde de grãos também contribuiu para esse resultado. Segundo estimativa da CNA e Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), ocrescimento do segmento de insumos para a agropecuária foi de 17,63%, enquanto o agronegócio da agricultura cresceu apenas 7,33%, no período de janeiro a setembro de 2008. Mas, segundo a senadora Kátia Abreu, o PIB do setor tende a crescer a taxas bem maiores do que a economia brasileira. “As estimativas são de que o PIB do agronegócio atinja R$ 698 bilhões em 2008, o que lhe garante crescimento a uma taxa de 8,62% este ano”, afirma ela.

Se a desaceleração da elevação do PIB continuar em 2009, a presidente da CNA diz que serão necessárias medidas urgentes para sustentar a renda do produtor e viabilizar o plantio da safra seguinte. Entre essas medidas, Kátia Abreu cita a reestruturação do crédito rural e a liberação de recursos para a sustentação dos preços dos produtos agrícolas. “O atual sistema de crédito rural não dá segurança a quem financia, o que acaba elevando o custo do crédito para o produtor rural”, diz a senadora. Para ela, é imprescindível dar transparência aos compromissos assumidos pelo produtor junto às instituições financeiras e a sua capacidade de efetuar os respectivos pagamentos. Quanto à sustentação dos preços agrícolas, a CNA e a Frente Parlamentar da Agropecuária articularam junto ao relator geral da lei orçamentária, senador Delcídio Amaral, a destinação de R$ 3 bilhões para garantir preços que remunerem pelo menos os custos de produção para o produtor rural.

 

 

Orçamento terá mais R$ 1,5 bilhão para a comercialização da safra 2008/2009

A agricultura terá mais R$ 1,5 bilhão no Orçamento de 2009 para financiar a comercialização da safra que será colhida no próximo ano. O anúncio foi feito no dia 16/12 às lideranças do setor e integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária pelo deputado Waldemir Moka (PMDB/MS), em nome do relator-geral do Projeto de Lei Orçamentária para 2009, senador Delcídio Amaral (PT/MS), na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília. Desta forma, serão disponibilizados R$ 3 bilhões para serem aplicados em mecanismos que evitem que os preços pagos aos agricultores fiquem abaixo do custo de produção. “A expectativa é de que votemos o Orçamento ainda esta semana, se não houver imprevistos”, disse Moka. Para a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu, a medida “representa um avanço para o setor”. 

A destinação de R$ 1,5 bilhão a mais foi definida em articulação com o relator-geral do Projeto de Lei Orçamentária Anual, senador Delcídio Amaral, pela Frente Parlamentar da Agropecuária, CNA. e demais entidades nacionais do agronegócio. Segundo Kátia Abreu (DEM/TO), esta cifra adicional no orçamento de 2009 ajudará a sustentar os preços pagos ao produtor no ano que vem, pois a expectativa é de que, na época da colheita, os preços fiquem muito abaixo do custo de produção. “Poderá haver um excesso de produção no mercado”, explicou. 

“Com a previsão desses recursos para sustentar a comercialização da safra teremos uma subvenção para equalizar os preços ao produtor”, explica a presidente da CNA. Segundo a senadora, as dificuldades de comercialização ocorrem principalmente nas lavouras de soja, milho, trigo, café e arroz. Mas, a situação é mais crítica na produção de algodão, que deverá demandar R$ 800 milhões do total de R$ 3 bilhões destinado no Orçamento da União ao financiamento da comercialização. “O acréscimo deste montante na lei orçamentária sairá mais barato para o Governo do que renegociar posteriormente as dívidas dos produtores rurais que não conseguirem vender suas colheitas a preços razoáveis”, diz Kátia Abreu.

 

 

Kátia Abreu critica ausência de política de garantia de renda ao produtor rural

A inexistência de uma política agrícola que garanta renda ao produtor rural foi criticada  pela presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu, durante a solenidade de posse da nova Diretoria da entidade, em Brasília. Ao discursar para um público superior a 800 pessoas, entre ministros de Estado, governadores, prefeitos, deputados, senadores, presidentes de Federações de Agricultura e lideranças empresariais, ela condenou a discriminação ao setor agropecuário, que contribui para o abastecimento da população e que garante o superávit da balança comercial brasileira. “O maior equívoco da política agrícola brasileira é estar focado sempre na defesa do crédito e jamais na renda do produtor, como sempre fizeram os países de primeiro mundo”, afirmou. E acrescentou. “Esquecem que contribuímos para as exportações com mais de 170 milhões de toneladas do excedente do consumo interno”, disse.

Kátia Abreu disse, também, que o Governo não dá a devida retribuição à agropecuária pela sua contribuição para a economia. “Esta proporção não chega a um décimo do valor de tão espantosa participação na economia. Ao longo de décadas, as atenções foram pífias”, ressaltou a senadora. Outro problema do campo mencionado pela nova presidente da CNA foi a falta de isonomia de tratamento entre trabalhadores urbanos e rurais. Na sua avaliação, é inaceitável a desatenção do Governo com os empregados do campo. “Diante da receita gerada pelas empresas em que trabalham, deve haver retribuição adequada, seja municipal, estadual ou federal”, enfatizou. Para a senadora, enquanto trabalhadores urbanos gozam de vantagens como crédito habitacional, educação, postos de saúde e transporte, o meio rural não dispõe de condições mínimas de segurança.

A presidente da CNA atacou, ainda, o problema da alta carga tributária sobre os alimentos, que chega a 16,9% no Brasil, muito acima dos tributos cobrados nos Estados Unidos, que representam menos de 1%, e dos 5,1% em impostos pagos pela Europa. “Esta oneração segue na contramão do desenvolvimento do País”, disse. A infra-estrutura e a logística no País também foram lembradas por Kátia Abreu. Defensora de melhorias nas condições de transporte para o escoamento da produção agrícola, a senadora afirmou que somente as rodovias respondem por 62% do escoamento da safra. No entanto, alertou que boa parte da malha rodoviária, hoje, é intransitável, o que pode reduzir os ganhos de comercialização e o preço dos produtos exportáveis. “Seria razoável que as rodovias fiquem permanentemente intransitáveis?”, questionou a senadora.

Além da presidência da CNA, Kátia Abreu estará à frente do Conselho Deliberativo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR). Compõem a nova Diretoria da CNA, Ágide Meneguette, 1º Vice-Presidente, Fábio de Salles Meirelles Filho, Vice-Presidente Executivo, Pio Guerra Júnior, Vice-Presidente de Secretaria, e Ademar Silva Júnior, Vice-Presidente de Finanças.

 

 

Etanol terá US$ 92 bilhões nos EUA

A indústria de etanol e biodiesel dos Estados Unidos deverá se beneficiar de subsídios superiores a US$ 92 bilhões no intervalo entre os anos de 2006 e 2012 e isso apenas em virtude das políticas já existentes do governo norte-americano, alertou o Instituto Internacional do Desenvolvimento Sustentável. A entidade conclama Tom Vilsack, o futuro secretário de Agricultura, a fazer reformas nas políticas de apoio à indústria de etanol e biodiesel, baseadas em "méritos econômicos e ambientais".

A ação da entidade, sediada no Canadá, já tenta se contrapor a pressões intensas que prevê sobre o futuro secretário de Agricultura por mais ajuda à indústria norte-americana de etanol, principalmente diante da baixa de preços das commodities agrícolas. A indústria de biocombustíveis da UE (União Européia) tem atacado a indústria dos Estados Unidos por causa dos enormes subsídios que desequilibram a concorrência também nesse mercado. Fonte: Valor.