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MP dá fôlego ao produtor, mas setor exige mais medidas
O processo de renegociação das dívidas rurais não é um
“presente” para o produtor, mas sim uma tentativa de
corrigir distorções antigas, devido à falta de uma política
agrícola consistente no Brasil.
A afirmação
é do presidente da FAEMG (Federação da Agricultura e
Pecuária do Estado de Minas Gerais), Roberto Simões.
Ele observa que a MP, se implementada de forma eficiente
pelos agentes financeiros, poderá dar novo fôlego ao setor.
No entanto, chama a atenção para a necessidade de que o
agronegócio tenha um tratamento compatível com sua
importância para a economia nacional, com a adoção de uma
política integrada, com crédito suficiente, seguro rural,
apoio à comercialização e infra-estrutura adequada.
Para Roberto
Simões, o governo federal mostrou mais empenho na
renegociação das dívidas rurais, mas agora o setor precisa
acompanhar de perto a tramitação da Medida Provisória 432 no
Congresso Nacional e a operacionalização das medidas pelo
sistema financeiro nacional. Ele aponta como um dos pontos
positivos de todo o processo as amplas negociações entre
governo e iniciativa privada, envolvendo os Ministérios da
Agricultura e da Fazenda e técnicos ligados ao setor
produtivo rural.
A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), as
Federações Estaduais da Agricultura e Pecuária, entre elas a
FAEMG, e outras entidades representativas do agronegócio
nacional já estão mobilizadas para a aprovação de emendas à
MP. Há 74 emendas a serem apresentadas, visando,
principalmente, aperfeiçoar as regras para a
operacionalização das medidas junto aos agentes financeiros.
É comum, por exemplo, alguns bancos condicionarem a
repactuação das dívidas à cobrança de custas, emolumentos e
pagamento de taxas, dificultando o processo para muitos
produtores rurais.
Alguns pontos precisam ser melhorados. Um exemplo é o que
diz respeito aos produtores inscritos na Dívida Ativa da
União. “Vamos negociar o aumento dos descontos e a redução
dos juros, para facilitar a quitação dos débitos”, informa
Roberto Simões. Para que a Medida Provisória possa ser
aprimorada, as lideranças rurais estão mobilizadas para que
o relator da MP seja o deputado Luís Carlos Heinze (PP-RS),
que vem participando de todo o processo e, portanto, tem bom
entendimento sobre o assunto. O setor também quer que o
governo monitore os bancos para o efetivo cumprimento da
medida.
CNA
defende monitoramento das medidas anunciadas para equalizar
dívidas dos produtores
A aplicação das medidas de
estímulo para pagamento e repactuação do endividamento dos
produtores rurais deve ser monitorada pelo Governo para
garantir a eficiência de sua operacionalização junto ao
setor agropecuário. Ao defender o acompanhamento da execução
das medidas anunciadas pelo Governo para a reestruturação do
passivo da atividade rural, o presidente da Confederação da
Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Fábio de Salles
Meirelles, disse que, embora as medidas não atendam
integralmente às aspirações dos produtores, representam
importante passo para criar melhores condições para o setor
quitar seus débitos. Meirelles participou da solenidade de
assinatura da Medida Provisória (MP) pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva e os ministros da Fazenda, da
Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, em solenidade no
Palácio do Planalto, que permitirá a renegociação de R$ 75
bilhões, abrangendo 2,8 milhões de contratos de
financiamento rural.
A MP traz pontos como o
tratamento diferenciado das dívidas em relação ao porte do
produtor, estímulos à liquidação antecipada dos débitos,
redução dos encargos de inadimplemento, prazos adicionais
para pagamento dos débitos, redução das taxas de juros das
operações de custeio, além de investimento e crédito
fundiário, entre outros. Contempla, também, descontos
inversamente proporcionais aos saldos devedores para
quitação de operações com risco assumido pela União,
descontos para operações do Programa Nacional de
Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), além de
tratamento diferenciado para o Nordeste e para municípios
que decretaram estado de emergência ou calamidade. A Medida,
que abrange o setor empresarial e a agricultura familiar,
será detalhada nesta quarta-feira pelo ministro da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes.
Na opinião do presidente da
CNA, a Medida Provisória não traz todas as soluções que o
setor pleiteava. No entanto, reconhece que o Governo mostrou
preocupação com o setor ao apresentar uma proposta discutida
com lideranças da atividade rural. Segundo o presidente da
Comissão Nacional de Endividamento da CNA, deputado Homero
Pereira (PR/MT), a bancada ruralista discutirá os pontos
prioritários, não contemplados na MP, que serão objeto de
emendas no Congresso Nacional. Para ele, ainda há espaço
para ampliar os descontos para as operações incluídas na
Dívida Ativa da União (DAU), além de maiores reduções em
taxas de juros, entre outros tópicos. Ressaltou, também, que
as emendas prioritárias serão negociadas com o Executivo.
“Não adianta colocarmos emendas que depois serão vetadas
pela Presidência”, explicou. O prazo para a apresentação de
emendas é de cinco dias, contados a partir da data da
publicação da MP no Diário Oficial da União (DOU).
Para Meirelles, o Governo
percebeu que “não pode abandonar um dos mais importantes
setores da economia brasileira”, responsável tanto pelo
abastecimento quanto pela conquista de novos mercados.
Lembrou que muitos dos problemas que geraram o endividamento
dos produtores rurais decorreram principalmente de
adversidades climáticas e políticas equivocadas do Governo.
Disse, também, que os custos de produção nos últimos anos
aumentaram e superaram as receitas dos agropecuaristas. Para
que o produtor não fique sufocado pelo aumento dos custos, o
presidente da CNA defendeu, além do monitoramento das
medidas de equacionamento do passivo, um financiamento
permanente para a agricultura brasileira. “É preciso criar
boas condições para o produtor exercer sua atividade. Apenas
soluções para pagar não bastam”, afirmou Meirelles. O
ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que as medidas
terão impacto fiscal de R$ 1,2 bilhão para os cofres
públicos e gerarão uma economia de R$ 9 bilhões para os
produtores.
Articulações – Além da
preparação das emendas à MP, os parlamentares já se
articulam para designar o relator da medida na Câmara dos
Deputados, onde a proposta começa a tramitar no Legislativo.
Enquanto o Governo trabalha para escolher um parlamentar que
tenha empatia com o Ministério da Fazenda, a bancada
ruralista cogita a indicação do deputado Luis Carlos Heinze
(PP/RS), que participou de diversas negociações em torno da
questão do endividamento rural, para relatar a medida.
Fundo de Catástrofe – Ao
anunciar o encaminhamento ao Congresso de Projeto de Lei
Complementar criando o Fundo de Catástrofe do Seguro Rural,
o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,
Reinhold Stephanes, informou que deverá substituir o Fundo
de Estabilidade do Seguro Rural, funcionando como um
instrumento de resseguro suplementar no caso de ocorrência
de catástrofes climáticas. Para Fábio Meirelles, a criação
deste fundo dará tranqüilidade ao produtor em caso de
adversidades que resultem em perdas expressivas de safra,
pois os prejuízos serão cobertos pelo Governo. Para ele, no
entanto, o fundo deve ter caráter preventivo. O Fundo de
Catástrofe estimulará resseguradoras e seguradoras a
operarem com seguro rural e a ampliar o percentual da
produção que tem a cobertura do seguro. Conforme o ministro
Reinhold Stephanes, este índice hoje é de apenas 4%.
Adidos agrícolas – Para o
presidente da CNA, a criação da função de adido agrícola nas
embaixadas brasileiras, também anunciada pelo Governo, é uma
antiga demanda das entidades que representam a atividade
rural. Os adidos vão atuar em missões diplomáticas no
exterior em temas de interesse da agropecuária brasileira,
participando de negociações internacionais com informações
qualificadas, especialmente sobre os temas sanitários e
fitossanitários. Meirelles salientou, também, que “os adidos
poderão trazer informações sobre o que acontece no mundo e
nos dar suporte internamente”. Os primeiros adidos serão
selecionados por processo interno do Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e participarão
de missões em Buenos Aires (Argentina), Bruxelas (União
Européia), Genebra (Suíça), Moscou (Rússia), Pequim (China),
Pretória (África do Sul), Tóquio (Japão) e Washington
(Estados Unidos
O vilão da
vez
A alta no preço médio do
milho, que chega a 38,8% no período de maio de 2007 a maio
deste ano, já está pressionando outros alimentos apreciados
pelos brasileiros. No país, aqueles que querem preparar um
frango ensopado, assar um pernil ou mesmo fritar um ovo
estão pagando mais caro. A justificativa está na valorização
do grão, que chega a representar até 70% do custo de
produção de aves e suínos. Como a expectativa é de que o
preço do milho se mantenha em alta por causa da valorização
da commodity no mercado internacional, a tendência é de mais
aumentos.
Segundo Pierre Vilela,
assessor técnico da FAEMG, o preço médio da saca de milho,
em maio de 2007, ficava em R$ 16,20. Neste mês, a média
varia entre R$ 22,00 e R$ 23,00. E apesar das projeções que
indicam crescimento da produção na safra atual do país, de
52 milhões de toneladas para 57,7 milhões de toneladas, ou
seja, de 10,9%, não existem indícios de que os preços pagos
pelo grão serão reduzidos. “A demanda é maior que a oferta e
há constantes reduções dos estoques mundiais”. O milho mais
caro reflete em custos mais altos principalmente para
produção de aves e suínos. Fonte: Estado de Minas
Fosfertil
investirá R$ 2 bilhões no Alto Paranaíba
O Conselho de Administração
da Fosfertil aprovou investimentos de R$ 2 bilhões no
Projeto Salitre, que possibilitará a duplicação da
capacidade de produção de fosfatados da empresa. Os aportes
serão empreendidos em Minas Gerais, no município de
Patrocínio (Alto Paranaíba), até 2011. O projeto prevê a
construção de um novo complexo de mineração na cidade, onde
a empresa já detém o direito de exploração de uma jazida de
fosfato, na Serra do Salitre. A nova mina deverá extrair
dois milhões de toneladas/ano de rocha fosfática, o
equivalente a 700 mil toneladas/ano de fósforo.
O empreendimento já obteve a
LP (Licença Ambiental Prévia) junto ao Copam (Conselho
Estadual de Política Ambiental) e a empresa também entrou
com a requisição da LI (Licença de Instalação) em março. A
intenção é iniciar as obras tão logo a LI seja concedida.
Para aproveitamento do volume que será extraído, parte dos
recursos também irá para a construção de um complexo
industrial químico, que ainda não possui localização
definida, mas tende a ser instalado em Patrocínio, próximo à
mina. A planta terá capacidade de produzir 560 mil
toneladas/ano de ácido fosfórico. Fonte: Diário do Comércio
Estado
quer confirmar área livre de aftosa sem vacinação
Após a retomada do status de
área livre de febre aftosa com vacinação, confirmada pela
OIE (Organização Internacional de Saúde Animal), Minas
Gerais busca agora um novo reconhecimento: o de área livre
de aftosa sem vacinação. A meta, segundo o secretário de
Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais,
Gilman Viana Rodrigues, é obter o novo status até o final de
2010. Atualmente, Santa Catarina é o único Estado brasileiro
que tem o reconhecimento da OIE como livre de aftosa sem
vacinação.
“O status de área livre sem
vacinação permite acesso a mercados como Estados Unidos,
Japão e Coréia do Sul, que ainda têm restrições à carne
fresca brasileira”, informa o secretário. Segundo ele, esses
mercados são grandes compradores e pagam preços expressivos.
“A retirada da vacinação reconhecida indica aos compradores
que a região não apresenta ameaça rotineira de contaminação,
embora seja necessária a manutenção de uma vigilância
ostensiva.” Algumas etapas precisam ser cumpridas até o
final de 2010. A próxima é uniformizar o calendário de
vacinação do Estado.
Temor com
guinada européia nos biocombustíveis
Decisões agrícolas adotadas
pela UE (União Européia), como redução de subsídios para
etanol e outra utilização de áreas antes destinadas só para
produção de biodiesel, não terão efeito sobre o Brasil, na
avaliação de fontes em Bruxelas. Ao mesmo tempo, autoridades
brasileiras se inquietam com o retardo da diretiva européia
tornando obrigatória a meta de 10% de biocombustíveis até
2020 no transporte terrestre. A decisão final sobre a
diretiva deverá ser arrastada para a presidência francesa da
UE, no segundo semestre, em meio ao confronto entre os 27
países comunitários.
A eliminação do subsídio de
45 euros por hectare na produção de etanol, confirmada na
semana passada, já tinha sido anunciada em novembro e não
pegou os produtores de surpresa. A medida é considerada por
eles de pouca ou nenhuma relevância. O montante, já pequeno,
iria diminuir com a repartição do pacote também para a
Romênia, um dos novos membros. Outra medida agrícola
anunciada pela comissária de agricultura, Marian Fischer
Boel, foi sobre as áreas de reserva, destinadas à produção
de biodiesel. Fonte: Valor Econômico |