Governo propõe alongamento de oito anos para investimentos e renegociação de R$ 66 bilhões

Comparação das propostas do Governo e dos Produtores

Assembléia realiza Reunião Especial para SENAR

CNA e Governo na disputa do Endividamento Rural

Governo propõe alongamento de oito anos para investimentos e renegociação de R$ 66 bilhões

Ampliação de R$ 56,3 bilhões para R$ 66 bilhões do montante a ser contemplado pelo Governo para solucionar o endividamento rural, alongamento de cinco para oito anos para parcelas de investimento, prorrogação de mais dois anos para contratos de custeio e aumento dos descontos para operações inscritas na Dívida Ativa da União (DAU). Estas foram as sinalizações dadas hoje (2/4) pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, a entidades de representação dos produtores rurais e parlamentares da bancada ruralista, durante reunião em Brasília.

As lideranças do setor privado e o Governo voltarão a se reunir na próxima terça-feira (8/4) para finalizar uma proposta de consenso para o setor. De acordo com o ministro Stephanes, a proposta tem de ser fechada até o dia 10 de abril. O presidente da Comissão Nacional de Endividamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), deputado Homero Pereira, (PR/MT), considerou que houve avanço, mas os tópicos apresentados pelo Governo ainda são insuficientes. “Alinhavamos mais alguns pontos, mas ainda não chegamos a um denominador comum”, disse Pereira. Ele informou que o grupo de trabalho formado por técnicos da CNA e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e parlamentares das Comissões de Agricultura da Câmara e do Senado discutirá esta semana uma nova contraproposta, incluindo pontos específicos para a situação do Nordeste, cacau, café e regiões com problemas de infra-estrutura e seca.

Segundo o representante da CNA, a ampliação do montante de R$ 66 bilhões incluiria operações com riscos dos bancos privados, e não apenas aqueles assumidos pela União. “Eles estão autorizando a inclusão destes riscos para que haja maior abrangência. Não queremos voltar a discutir os mesmos problemas daqui a dois ou três anos”, enfatizou Homero. O representante da CNA disse também que o setor insistirá para que sejam concedidos períodos de carências. “O Governo ficou irredutível neste ponto”.   

Na questão dos investimentos e dos custeios, a CNA é uma das entidades que defendem o alongamento do prazo até 2025. Na proposta apresentada hoje pelo Executivo, um contrato de investimento a ser pago em cinco anos passaria a ter oito anos de prazo. No caso do custeio, um prazo de quatro anos passaria a ser de seis. Quanto às taxas de juros, o percentual defendido pelos produtores rurais é de 4%. No entanto, o Executivo propôs uma taxa de 8,75% para os custeios renegociados e a redução de 9,5% para 8,75% para os encargos relativos aos investimentos. De acordo com parlamentares que participaram do encontro, a equipe econômica sinalizou ainda a redução dos juros para o Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop), de 10,5% para 8,75%, e a recomendação, junto a instituições financeiras, da queda dos encargos dos financiamentos com juros livres, dos atuais 12% para um patamar entre 7,75% e 8,75% ao ano.

Em relação às operações de crédito rural inscritas na DAU, o executivo propôs um aumento nos percentuais de descontos, que seriam inversamente proporcionais aos valores devidos, ou seja, quanto menor o débito maior o desconto. Desta forma, uma dívida de até R$ 10 mil teria o abate ampliado de 70% para 75%, enquanto um saldo devedor acima de R$ 200 mil teria um desconto de 40%, ao invés dos 25% propostos anteriormente pelo Governo. Para os passivos entre R$ 10 mil e R$ 200 mil, foram oferecidos rebates de 45%, 55% e 65%. Um produtor que devia R$ 134 mil e que teve o saldo negativo elevado para R$ 432 mil com a inscrição na DAU, pagaria R$ 232 mil com o desconto. “A dívida ainda fica muito alta”, ressaltou o presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, deputado Onyx Lorenzoni (DEM/RS).

 

 

Comparação das propostas do Governo e dos Produtores

Veja a tabela comparativa entre os pontos sinalizados pelo Governo e as posições defendidas pelos produtores rurais. Na próxima terça-feira (8/4), as lideranças rurais e os Ministérios da Agricultura e da Fazenda voltam a se reunir para buscar uma definição da proposta de renegociação da dívida rural. De acordo com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, a proposta será fechada até o dia 10.

GOVERNO/ PRODUTORES RURAIS

G - Alongamento do prazo das parcelas de investimento por mais três anos. Assim, o período de até cinco anos proposto inicialmente seria ampliado para até oito anos

P - Alongamento por 17 anos, nos moldes da securitização. Desta forma, as parcelas dos contratos seriam liquidadas em 2025

G - Prorrogação das parcelas de custeio por mais dois anos

P -  Diluição das parcelas pelo prazo de 17 anos

G - Redução dos juros para investimento, de 9,5% para 8,75% ao ano

P -  Juros de 4% ao ano

G - Juros de 8,75% ao ano para custeio renegociado

P -  Juros de 4% ao ano

G - Ampliação dos percentuais de descontos para as operações de crédito rural inscritas na Dívida Ativa da União (DAU), inversamente proporcionais ao valor devido;

      - Dívidas até R$ 10 mil: o desconto passaria de 70% para 75%

      - Dívidas entre R$ 10 mil e R$ 50 mil: o desconto passaria de 50% para 65%

      - Dívidas entre R$ 50 mil e R$ 100 mil: o desconto passaria de 35% para 55%

      - Dívidas entre R$ 100 mil e R$ 200 mil: o desconto passaria de 30% para 45%

      - Dívidas acima de R$ 200 mil: o desconto passaria de 25% para 40%

P - Retorno das operações inscritas na DAU à condição de operações de crédito rural, de forma a depurar o saldo devedor, eliminando as “gorduras” da dívida e corrigindo as distorções indevidas

G - Pagamento das parcelas sem carência

P -  Carência mínima de um ano para início da quitação das prestações devidas

G - Redução dos juros para o Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop), de 10,5% para 8,75%

P -  Juros de 4% ao ano

G - Recomendação, junto a instituições financeiras, da queda dos encargos dos financiamentos com juros livres, dos atuais 12% para um patamar entre 7,75% e 8,75%

P -  Juros de 4% ao ano

G - Ampliação do valor da dívida a ser renegociado, de R$ 56,3 bilhões para R$ 66 bilhões

P - Renegociação de R$ 87,5 bilhões, valor total do passivo das operações de crédito rural

 

 

Assembléia realiza Reunião Especial para a entidade

A Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais realiza Reunião Especial segunda-feira (07/04/08), às 20:00, para homenagear o SENAR MINAS (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural). Nesta data, a entidade completa 15 anos de atuação no Estado. A reunião foi requerida pelo deputado estadual Luiz Humberto Carneiro, ex-presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Uberlândia. Desde a sua criação, o SENAR MINAS realizou 52.334 cursos, atendendo 749.053 pessoas.

O objetivo do SENAR é promover a capacitação do trabalhador, do produtor rural e de suas famílias. Para isso, realiza gratuitamente cursos, treinamentos, seminários, palestras e uma série de outros eventos, com o objetivo de aprimorar a formação profissional e a promoção social da população rural.

Atualmente, o SENAR oferece treinamentos em mais de 80 ocupações para atender à demanda do mercado de trabalho rural em Minas. Além dos cursos, a entidade oferece vários programas para os diversos públicos que exercem a atividade rural. São eles:

GQC – Programa Gestão com Qualidade em Campo: voltado para a gestão da propriedade, ajuda o produtor a planejar suas ações e a colocar em prática metodologias que permitem reduzir custos e buscar a eficiência do seu negócio. 

Programa Semeando: é a educação ambiental direcionada aos alunos da rede pública do Ensino Fundamental. Criado em 2001, atingindo 50 mil alunos, o Semeando trouxe a oportunidade de sensibilizar a sociedade para a relação existente entre campo e cidade e estimular atitudes que resultem em ações voltadas para a conservação e adequada utilização dos recursos naturais. Neste ano, serão atendidos 3 milhões de alunos em todos os municípios do Estado.

Programa de Formação de Novas Lideranças Rurais: reúne pessoas que têm perfil de liderança e atuam no agronegócio.

Programa Cidadão Rural: oferece serviços de cidadania, como obtenção de documentos, atendimento médico e odontológico, cultura e lazer à população rural.

Encontro de Jovens e Mulheres Rurais: voltado para as famílias dos produtores e trabalhadores, é composto por palestras sobre empreendedorismo, saúde, meio ambiente e outros temas.

Programa de Alfabetização de Jovens e Adultos: implantado com o objetivo de alfabetizar pessoas que querem participar dos eventos profissionalizantes oferecidos pelo SENAR MINAS.

Projeto Cidadania Rural: leva informações sobre direitos e deveres previdenciários e normas de saúde e segurança no trabalho – a NR-31.

GQS – Programa de Gestão com Qualidade no Sindicato: direcionado aos Sindicatos dos Produtores Rurais, oferece às entidades técnicas de planejamento e de organização e também ferramentas para o aperfeiçoamento na qualidade dos processos.

 

CNA e Governo na disputa do Endividamento Rural

Ampliação de R$ 56,3 bilhões para R$ 66 bilhões do montante a ser contemplado pelo Governo para solucionar o endividamento rural, alongamento de cinco para oito anos para parcelas de investimento, prorrogação de mais dois anos para contratos de custeio e aumento dos descontos para operações inscritas na Dívida Ativa da União (DAU). Estas foram as sinalizações dadas pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, e pelo secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, a entidades de representação dos produtores rurais e parlamentares da bancada ruralista, durante reunião em Brasília.

As lideranças do setor privado e o Governo voltarão a se reunir na próxima terça-feira (8/4) para finalizar uma proposta de consenso para o setor. De acordo com o ministro Stephanes, a proposta tem de ser fechada até o dia 10 de abril. O presidente da Comissão Nacional de Endividamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), deputado Homero Pereira, (PR/MT), considerou que houve avanço, mas os tópicos apresentados pelo Governo ainda são insuficientes. “Alinhavamos mais alguns pontos, mas ainda não chegamos a um denominador comum”, disse Pereira. Ele informou que o grupo de trabalho formado por técnicos da CNA e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e parlamentares das Comissões de Agricultura da Câmara e do Senado discutirá esta semana uma nova contraproposta, incluindo pontos específicos para a situação do Nordeste, cacau, café e regiões com problemas de infra-estrutura e seca.

Segundo o representante da CNA, a ampliação do montante de R$ 66 bilhões incluiria operações com riscos dos bancos privados, e não apenas aqueles assumidos pela União. “Eles estão autorizando a inclusão destes riscos para que haja maior abrangência. Não queremos voltar a discutir os mesmos problemas daqui a dois ou três anos”, enfatizou Homero. O representante da CNA disse também que o setor insistirá para que sejam concedidos períodos de carências. “O Governo ficou irredutível neste ponto”.   

Na questão dos investimentos e dos custeios, a CNA é uma das entidades que defendem o alongamento do prazo até 2025. Na proposta apresentada hoje pelo Executivo, um contrato de investimento a ser pago em cinco anos passaria a ter oito anos de prazo. No caso do custeio, um prazo de quatro anos passaria a ser de seis. Quanto às taxas de juros, o percentual defendido pelos produtores rurais é de 4%. No entanto, o Executivo propôs uma taxa de 8,75% para os custeios renegociados e a redução de 9,5% para 8,75% para os encargos relativos aos investimentos. De acordo com parlamentares que participaram do encontro, a equipe econômica sinalizou ainda a redução dos juros para o Programa de Desenvolvimento Cooperativo para Agregação de Valor à Produção Agropecuária (Prodecoop), de 10,5% para 8,75%, e a recomendação, junto a instituições financeiras, da queda dos encargos dos financiamentos com juros livres, dos atuais 12% para um patamar entre 7,75% e 8,75% ao ano.

Em relação às operações de crédito rural inscritas na DAU, o executivo propôs um aumento nos percentuais de descontos, que seriam inversamente proporcionais aos valores devidos, ou seja, quanto menor o débito maior o desconto. Desta forma, uma dívida de até R$ 10 mil teria o abate ampliado de 70% para 75%, enquanto um saldo devedor acima de R$ 200 mil teria um desconto de 40%, ao invés dos 25% propostos anteriormente pelo Governo. Para os passivos entre R$ 10 mil e R$ 200 mil, foram oferecidos rebates de 45%, 55% e 65%. Um produtor que devia R$ 134 mil e que teve o saldo negativo elevado para R$ 432 mil com a inscrição na DAU, pagaria R$ 232 mil com o desconto. “A dívida ainda fica muito alta”, ressaltou o presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, deputado Onyx Lorenzoni (DEM/RS).