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O conteúdo deste arquivo
foi elaborado pela equipe Cepea em junho/2008.
Neste arquivo:
Preço do adubo quase dobra em relação à safra 2007/08
Comparação entre retorno dos produtores coloca brasileiro em
situação difícil
Em Londrina, milho é melhor opção; em cascavel, trigo rende
mais
Algodão fica de fora da onda de supervalorizações
Restrição argentina às vendas de trigo dificulta
abastecimento no Brasil
PREÇO DO ADUBO QUASE DOBRA EM RELAÇÃO À SAFRA 2007/08
O preço do adubo formulado básico para a cultura da soja em
maio deste ano esteve 87% maior que o pago, em média, na
safra passada. O valor que produtores receberam pela soja,
no entanto, subiu somente 17% - considerando-se a parte
vendida antecipadamente (a partir de setembro) e o restante
comercializado em maio deste ano, ao preço médio do período.
Mesmo com a produção mundial de soja em níveis recordes, os
preços da oleaginosa subiram puxados pelo aumento da demanda
– tanto para o consumo humano quanto para a produção de
ração e de biodiesel – e, conseqüentemente, da redução do
estoque mundial. Nos Estados Unidos, segundo relatório do
USDA, os estoques reduziram quase 75% entre as safras
2006/07 e 2007/08. O problema dos produtores é que, em
geral, mais da metade da soja havia sido vendida em
contratos antecipados.
Quanto aos fertilizantes, mês a mês têm registrado preços
recordes, em decorrência da menor oferta das
matérias-primas, do crescimento da demanda pelo NPK, em
especial por países como a China e a Índia, e da valorização
do barril do petróleo.
Entre as regiões pesquisadas pelo Cepea/CNA, a maior alta
nos preços do adubo, de 94% - também se comparando maio/08 à
média paga pelos produtores para a safra passada -, foi
verificada em Sorriso (MT), ao passo que a soja valorizou
apenas, 28,7%. Em Rio Verde (GO), a cotação do adubo subiu
93% no mesmo período e da soja, 21%.
No Paraná, o insumo negociado na região de Cascavel teve
aumento de 90% no mesmo período, enquanto a oleaginosa
registrou elevação de apenas 6,3%. Em Londrina, houve
aumento de 86% nos preços do adubo e de 7,2% nos da soja.
Uberaba (MG), Dourados (MS) e
Rondonópolis (MT) foram as regiões – dentre as pesquisadas –
onde os adubos subiram menos. Na região mineira, o valor do
insumo subiu 78% e o da soja, 27%. Em Dourados, o adubo
subiu 75%, enquanto o grão valorizou apenas 12% e, em
Rondonópolis, o preço médio do adubo está 73,6% mais caro em
relação ao da safra 2007/08, e a cotação da soja aumento
apenas 18,6% ao produtor.
Em abril, com o aumento da demanda e dos preços dos
fertilizantes no mercado internacional, o governo chinês
elevou o imposto de exportação de matérias-primas de vários
fertilizantes em até 135%, visando evitar uma possível
escassez da oferta na China. Além disso, a medida tem como
objetivo manter os preços controlados durante o período de
grande demanda para o plantio das lavouras de primavera. A
China é um dos maiores produtores mundiais de fertilizantes,
e a tributação sobre os embarques deverá elevar ainda mais
os preços em países como o Brasil.
Com os preços dos fertilizantes em alta, muitos produtores
cogitam a possibilidade de reduzir a quantidade do insumo no
solo. Em algumas regiões, isso pode ser possível sem perda
de produtividade. É fundamental, contudo, que essa redução
seja feita a partir de análise de solo que indique tal
possibilidade e que escala. Caso contrário, o produtor vai
correr o risco de ter uma frustração de safra, algo não
aceitável num mercado competitivo via preço como o da soja.
Tabela 1. Preço em reais do fertilizante utilizado na safra
2007/08 da soja em relação ao de maio de 2008.
|
|
Safra 07/08 |
Maio/08 |
% |
% |
|
|
Preço médio soja R$/sc
60kg |
Adubo básico
(no plantio 07/08)
R$/t |
Preço médio soja R$/sc
60kg |
Adubo básico
(preço do mês)
R$/t |
Preço médio soja
|
Adubo básico |
|
Sorriso (MT) |
26,51 |
722 |
34,11 |
1403,0 |
28,7% |
94,3% |
|
Rondonópolis (MT) |
32,66 |
703 |
38,72 |
1361,0 |
18,6% |
93,6% |
|
Dourados (MS) |
34,60 |
830 |
38,84 |
1451,0 |
12,3% |
74,8% |
|
Rio Verde (GO) |
32,62 |
700 |
39,35 |
1350,3 |
20,6% |
92,9% |
|
Uberaba (MG) |
33,61 |
780 |
42,70 |
1390,0 |
27,1% |
78,2% |
|
Cascavel (PR) |
38,20 |
700 |
40,71 |
1331,0 |
6,6% |
90,1% |
|
Londrina (PR) |
38,00 |
760 |
40,74 |
1410,0 |
7,2% |
85,5% |
Fonte: Cepea/CNA
QUANTO CUSTA PRODUZIR SOJA NO BRASIL, ARGENTINA E EUA?
O Cepea e a CNA representam o Brasil no Agri Benchmark,
projeto sediado na Alemanha que reúne pesquisadores e
representantes de entidades e governos de vários países. O
propósito é compreender melhor como são as fazendas pelo
mundo através de comparações. Para tanto, as instituições
parceiras adotam metodologias comuns.
Informações microeconômicas da produção brasileira de grãos
passam a ser comparadas com as de outros 14 países: França,
Hungria, Alemanha, Itália, Suíça, Dinamarca, Reino Unido,
Polônia, Ucrânia, Canadá, Estados Unidos, África do Sul,
China e Malásia. A partir de análises, é possível apresentar
o Brasil sem estereótipos, com informações técnicas
atualizadas.
O método de coleta recomendado pela entidade que coordena o
projeto, o IFCN, é o Painel, que consiste em reunião com
grupo de até 10 produtores para a composição de uma
propriedade típica de cada região visitada. Além do
inventário da propriedade, são coletados quantidades
utilizadas de insumos e os preços pagos localmente por
produtores. Os dados do Brasil têm sido levantados por
pesquisadores do Cepea, com apoio financeiro da CNA.
No caso da produção de soja, a comparação tem sido feita
entre o Brasil, Argentina e Estados Unidos. Para as
comparações sobre a safra 2006/07, do Brasil, foram enviadas
informações sobre propriedades típicas do Paraná, Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul e de Goiás.
De Mato Grosso, foi destacada como fazenda típica de
produção de soja uma propriedade de 1.300 ha de área
agrícola (BR-1300, MT), que no verão cultiva 100% da área
com soja e, no inverno, 25% com milho safrinha – o restante
não tem aproveitamento comercial. No Paraná, a propriedade
típica submetida para comparações internacionais tem 169 ha
(BR-169, PR), cultiva 80% desta área com soja no verão e os
20% restantes, com milho; no inverno, 80% é de milho. Em
Goiás, a propriedade típica tem 480 ha (BR-480, GO), com
100% da área ocupada com soja no verão e 31% com milho no
inverno – o restante não é usado comercialmente.
COMPARAÇÃO ENTRE RETORNO DOS PRODUTORES COLOCA BRASILEIRO EM
SITUAÇÃO DIFÍCIL
Entre todas as propriedades analisadas (dos três países) na
safra 2006/07, o maior custo operacional foi verificado no
Brasil, na propriedade do Paraná, onde produzir um hectare
de soja custou US$ 438,00 na safra 2006/07. Na seqüência,
estão: a fazenda de Iowa, nos Estados Unidos (US-700, IA),
com US$ 366,00/ha e a de Mato Grosso (BR-1300 – MT), com US$
332,00/ha. Já os menores custos operacionais foram
registrados na Argentina, na província de Buenos Aires, com
US$ 150,00/ha (AR-2300, BAr) e com US$ 227,00/ha (AR-50000,
BAr).
O terceiro menor custo operacional ficou para o estado de
Goiás (BR-480, GO) e para Dakota do Norte (US-3050, ND),
ambos com US$ 291,00/ha.
Considerando somente o custo operacional, a produção de soja
na Argentina está muito à frente da brasileira. O custo de
produção daquele país é favorecido em três aspectos em
relação ao o Brasil: baixo uso de fertilizantes, baixo custo
com os herbicidas e incidência reduzida de doenças – não há
grandes infestações de ferrugem asiática.
A principal vantagem competitiva da produção argentina
diante da brasileira é a alta fertilidade do solo, que
implica o uso reduzido de adubos químicos. Em algumas
propriedades, esse insumo sequer é utilizado e, noutras, seu
custo chega ao máximo de US$ 17,00/ha. Em situação bem
diferente, os brasileiros investem uma grande parcela do
capital em fertilizantes, gastando de US$ 63,00/ha, no
Paraná, a US$ 79,00/ha, em Mato Grosso. Nos Estados Unidos,
o dispêndio com fertilizantes vai de US$ 18,00/ha em Dakota
do Norte a US$ 78,00 em Iowa.
Os gastos com herbicida na Argentina na safra 2006/07 foram
apurados em cerca de US$ 29,00/ha. No Brasil, são de
aproximadamente US$ 75,00/ha, no Paraná, e de US$ 53,00/ha,
em Mato Grosso. Quanto a doenças e pragas, os argentinos e
os norte-americanos não apresentaram gastos significativos.
No entanto, nas lavouras do Brasil, foram registrados custos
com controle de pragas e ferrugem asiática de US$ 65,00/ha,
em Mato Grosso, a US$ 72,00/ha, no Paraná.
Em relação às propriedades típicas dos Estados Unidos, os
argentinos apresentaram vantagem somente no que diz respeito
aos fertilizantes, pois os gastos com herbicidas são
semelhantes. No caso de fungicidas e inseticidas, os
norte-americanos não apresentaram nenhum gasto, enquanto na
Argentina despende-se de US$ 1,50/ha a US$ 3,00/ha.

Figura 1 – Comparação de custo de produção da soja entre
Brasil, Argentina e Estados Unidos, para o ano de 2006.
Fonte: Agri benchmark (2007) – elaborado por Cepea
Quando se analisa o custo total de produção da soja,
incluindo-se o custo da terra, a depreciação das máquinas e
outros custos fixos, verifica-se que a soja produzida no
estado de Iowa, nos Estados Unidos (US-700, IA), demanda US$
745,00/ha, seguida pela província de Buenos Aires, na
Argentina (AR-2300B, BAr), com US$ 617,00/ha e pelo Paraná,
no Brasil (BR-169, PR), com US$ 602,00/ha.
Embora a região de Iowa tenha apresentado na safra 2006/07 o
maior custo total por hectare de soja, não é possível
afirmar que esta foi a região menos competitiva. O indicador
mais indicado para dar resposta sobre competitividade é o
retorno por unidade monetária investida. A figura abaixo
mostra que, mesmo com a região de Iowa apresentando o maior
custo por hectare, teve um retorno positivo por unidade
monetária investida. Para cada US$ 1,00 investido, o retorno
foi de US$ 1,12, ou de 12%. Já as propriedades típicas de
Dakota do Norte estão no vermelho, com retorno negativo
entre 6 e 7%.
A propriedade típica da Argentina (AR-2300, BAr) apresentou
o menor custo operacional, mas, com o custo da terra, teve o
segundo maior custo por hectare e o pior retorno por unidade
monetária investida. No Brasil, as propriedades típicas dos
estados de MT e do PR também demonstraram retorno negativo,
sinalizando que o investimento na atividade não está
remunerando o valor da terra e a depreciação da
infra-estrutura. Com efeito, a persistência desse cenário
representa a falta de sustentabilidade do negócio. Entre as
brasileiras, somente a propriedade de Goiás obteve retorno
positivo, de 12%.
Na próxima edição deste informativo, será apresentado o
cálculo de retorno por Real investido por brasileiros na
safra 2007/08.

Fonte: Agri benchmark (2007) – elaborado por Cepea
EM LONDRINA, MILHO É MELHOR OPÇÃO; EM CASCAVEL, TRIGO RENDE
MAIS
Em Londrina, o produtor que optou pelo milho na safrinha,
obteve retorno de 21,5%; aqueles que cultivaram o trigo
conseguiram 16,9%. Em nenhum dos casos há motivo para
lamentação! Já em Cascavel, para cada R$ 1,00 investido no
trigo, o produtor colheu R$ 1,09; o milho, porém, teve
retorno de apenas 3,5% nesta região.
Apesar disso, é preciso considerar que um pequeno aumento da
produtividade ou dos preços tornaria esta cultura mais
atrativa que a do trigo. Tradicionalmente, o milho agrada
mais aos produtores por ter maior liquidez e risco de
produção um pouco menor que o do trigo.
O principal motivo para o baixo retorno do milho safrinha em
Cascavel foi o gasto com fertilizantes. Produtores desta
região despenderam quase 30% a mais com este insumo que os
de Londrina. Já quando se inclui na comparação os demais
itens de custos (operacionais), o dispêndio de Cascavel
torna-se 17,5% maior que o de Londrina, implicando
diretamente no menor retorno. Quanto à produtividade e aos
preços, foram considerados valores iguais.
Para o trigo, a vantagem de Londrina sobre Cascavel decorre
basicamente da produtividade um pouco maior, tendo em vista
que os custos operacionais e também os preços considerados
foram muito próximos.
Mais do que apontar os resultados consolidados da safrinha
atual, este levantamento deixa clara a importância de
pesquisas detalhadas em cada região para que produtores
identifiquem qual é, para a sua área em específico, a
cultura mais rentável em cada período.
|
|
Cascavel 07/08 |
Londrina 07/08 |
|
|
Milho safrinha |
Trigo |
Milho safrinha |
Trigo |
|
Insumos |
R$ 882,90
|
R$ 558,78
|
R$ 721,94
|
R$ 655,69
|
|
Fertilizantes |
R$
478,00 |
R$
265,00 |
R$
371,49 |
R$
305,48 |
|
Sementes |
R$
210,00 |
R$
150,00 |
R$
187,00 |
R$
210,00 |
|
Herbicidas |
R$
53,00 |
R$
36,50 |
R$
57,64 |
R$
27,11 |
|
Inseticidas |
R$
46,50 |
R$ 9,18 |
R$
51,14 |
R$
25,42 |
|
Fungicidas |
R$
35,40 |
R$
54,00 |
R$ - |
R$
75,00 |
|
Trat.
Semente |
R$
60,00 |
R$
40,50 |
R$
54,67 |
R$
12,69 |
|
Adjuvante |
R$ - |
R$ 3,60 |
R$ - |
R$ - |
|
Prep. solo/Plantio |
R$ 113,17
|
R$ 31,17
|
R$ 75,08
|
R$ 41,32
|
|
Tratos culturais |
R$ 105,66
|
R$ 122,28
|
R$ 74,49
|
R$ 74,49
|
|
Colheita |
R$ 70,75
|
R$ 56,60
|
R$ 139,09
|
R$ 65,45
|
|
Transp. da produção |
R$ 128,00
|
R$ 29,60
|
R$ 75,00
|
R$ 40,00
|
|
Mão de obra |
R$ 18,76
|
R$ 86,91
|
R$ 26,33
|
R$ 5,59
|
|
Comerc./Armaz. |
R$ -
|
R$ -
|
R$ -
|
R$ -
|
|
Impostos |
R$ 34,16
|
R$ 25,53
|
R$ 34,16
|
R$ 27,42
|
|
Seguro |
R$ 2,79
|
R$ 12,85
|
R$ 6,88
|
R$ 8,04
|
|
Assistência técnica |
R$ 5,96
|
R$ 6,42
|
R$ 2,07
|
R$ 6,32
|
|
Financ. Capital Giro |
R$ 72,31
|
R$ 86,14
|
R$ 66,76
|
R$ 95,49
|
|
Custo Operacional |
R$ 1.434,45
|
R$ 1.016,28
|
R$ 1.221,79
|
R$ 1.019,81
|
|
Produtividade |
75 |
37 |
75,00
|
40 |
|
Preço médio |
R$ 19,80
|
R$ 30,00
|
R$ 19,80
|
R$ 29,80
|
|
Produtiv.
nivelamento |
72,45
|
33,88
|
61,71
|
34,22
|
|
Preço méd.
nivelamento |
R$ 19,13
|
R$ 27,47
|
R$ 16,29
|
R$ 25,50
|
|
Receita líquida (ha) |
R$ 50,55
|
R$ 93,72
|
R$ 263,21
|
R$ 172,19
|
|
RR (R$) |
R$ 0,04
|
R$ 0,09
|
R$ 0,22
|
R$ 0,17
|
|
RR (%) |
3,5% |
9,2% |
21,5% |
16,9% |
Fonte: Cepea/CNA
Mercado
OTIMISMO COM A SOJA PERMANECE PARA SEGUNDO SEMESTRE
Depois de alcançar recorde nas bolsas internacionais e
também no Brasil, em dólar - já em real, foi o maior patamar
desde 2004, apenas –, as cotações da soja tiveram um
expressivo decréscimo na primeira quinzena de abril,
voltando a se recuperar e estabilizar no período seguinte.
Mesmo assim, pode-se dizer que a comercialização da safra
brasileira ocorreu a preços considerados atrativos aos
produtores.
Em abril, os preços internacionais da soja caíram em
decorrência dos primeiros dados sobre a safra
norte-americana 2008/09 divulgados pelo USDA em 31 de março.
O aumento da área a ser plantada com soja nos Estados
Unidos, a partir de meados de abril, estimada pelo órgão
superou as expectativas do mercado. Devem ser cultivados
30,27 milhões de hectares naquele país, área 18% maior - o
que corresponde a 13 milhões de toneladas a mais - em
relação à safra anterior (2007/08).
Apesar das quedas, os fundamentos continuam altistas -
demanda crescente e estoques apertados. Nem mesmo o
crescimento da produção em uma safra será suficiente para
equilibrar oferta e demanda, ou melhor, para evitar que os
preços sigam em alta. Foi esta situação que fez com que as
cotações se recuperassem e praticamente se estabilizassem na
casa dos 13 dólares por bushel na Bolsa de Chicago.
Esta situação, consequentemente, foi transmitida ao mercado
interno. Além disso, produtores estão mais capitalizados
nesta safra, comparativamente às anteriores, e seguram parte
da produção. Dessa forma, não houve pressão de venda. Ao
mesmo tempo, o mercado seguiu com demanda ativa, para
atender os mercados interno e externo.
De janeiro a maio, as exportações da soja em grão alcançaram
10,2 milhões de toneladas, segundo a Secex, volume 5,63%
superior ao mesmo período de 2007. Para o farelo, até aquele
mês, as exportações foram de 4,7 milhões de toneladas,
ficando 4,5% inferiores às de 2007. Já para o óleo de soja,
as exportações somam 613,7 mil toneladas, volume 0,7%
inferior ao de 2007.
O mercado de soja tem sido influenciado também pelos
desacordos entre ruralista e o governo da Argentina, que
culminou na suspensão de novos negócios para o mercado
externo na segunda quinzena de abril, persistindo até o
momento (início de junho). Isto fez com que, aos poucos,
importadores passassem a buscar o produto nos Estados Unidos
e no Brasil, o que também deu sustentação ao mercado.
Em maio, a expectativa era de preços maiores durante todo o
segundo semestre de 2008. Entretanto, quando da colheita da
safra americana, a partir de outubro, pode haver alguma
pressão sobre os valores, devido à maior produção. Para os
agricultores brasileiros, resta identificar o melhor momento
de negociar e/ou efetuar a melhor estratégia de
comercialização do restante da safra 2007/08 e da nova safra
(2008/09), com vistas a garantir rentabilidade que faça
frente aos maiores custos de produção.

Figura 1. Evolução do Indicador ESALQ/BM&F para o estado do
Paraná (média ponderada de cinco regiões)
Fonte: Cepea
PREÇOS EXTERNOS DO MILHO PODEM SUSTENTAR COTAÇÃO INTERNA
Em março, abril e maio, as cotações internas e externas do
milho seguiram firmes, sustentadas pelos baixos estoques
mundiais do produto, pela menor produção americana e pela
demanda firme. A valorização do petróleo também contribuiu
para os aumentos de preços do cereal. Recordes freqüentes
foram observados nos contratos da bolsa de Chicago (CBOT)
durante o trimestre.
O fato é que agentes sinalizavam que os valores do milho
estavam baixos se comparados aos da soja e do trigo nos EUA,
se tornando um mercado atrativo para especuladores. Vale
lembrar que há um renovado fluxo de dinheiro especulativo
nos mercados de matérias-primas, diante da fraca performance
dos ativos financeiros. Além disso, dados do USDA divulgados
no final de março sinalizaram redução de 8% na área plantada
com milho nos Estados Unidos, voltando para 34,8 milhões de
hectares, depois de atingir em 2007 área recorde.
Segundo o Departamento, a diminuição das lavouras de milho
nos EUA pode ocorrer devido aos preços favoráveis de outras
commodities, ao maior custo com insumos para produção
de milho e à necessidade de rotação de culturas. Ainda
assim, a área permanecerá em níveis altos em relação aos
anos anteriores, sustentada pelos preços elevados e pela
necessidade de atender à demanda para produção de etanol –
dezenas de usinas de álcool de milho devem entrar em
operação em 2008.
No mercado interno, os preços subiram até meados de abril.
Em março, as altas ainda refletiam o plantio tardio de 2007
e, consequentemente, o atraso da colheita em 2008. As chuvas
em fevereiro também paralisaram as atividades, limitando o
volume disponível. A demanda não chegou a pressionar o
mercado, mas os baixos estoques também sustentavam os preços
internos. Além disso, as elevadas cotações da soja e do
trigo não deram espaço para desvalorizações do milho, ao
mesmo tempo em que reduziram o interesse por expansão da
área de milho.
A partir da segunda quinzena de maio, porém, os preços do
milho caíram nas principais regiões produtoras do Brasil. A
pressão veio principalmente da colheita da safrinha e do
maior interesse de produtores em negociar, temendo baixas
ainda maiores. Além disso, algumas
cooperativas/cerealistas/traders precisaram abrir espaço nos
armazéns para a entrada da safrinha.
Somando-se a produção de milho nas safras de verão e de
inverno 2007/08, a oferta nacional deverá ser recorde. Além
do aumento de área, os ganhos de produtividade devem
reforçar o total a ser colhido. Segundo a Conab, é esperado
um crescimento de área plantada total (verão e inverno) de
3,4%. A produção total de milho deve ter aumento de 7,6% em
relação ao período anterior, com os ganhos de produtividade
chegando a 4,1%.
Com as cotações externas mais firmes, é esperado que as
exportações aumentem e amenizem a pressão da oferta recorde
no mercado doméstico. Vale ressaltar, entretanto, que até
início de junho os contratos da BM&F apontavam queda de
preço até setembro e recuperação posterior, seguindo pelo
menos até março de 2009.
ALGODÃO FICA DE FORA DA ONDA DE SUPERVALORIZAÇÕES
Em cenário macroeconômico de preços elevados de muitas
commodities, incluindo alimentos básicos da população
mundial, e de demanda aquecida (interna e externamente), o
algodão tem um quadro atípico, requerendo medidas de
incentivo (leilões de Pepro) a produtores.
Enquanto commodities como soja, milho e trigo apresentam os
menores estoques mundiais desde o início da década de 1980,
no mercado de algodão, o volume disponível tem praticamente
acompanhado o ritmo de crescimento da demanda. Nem mesmo a
queda da produção da pluma americana na safra 2008/09 deve
causar impactos expressivos em nível mundial, uma vez que
outros países devem apresentar crescimento da safra.
Nesse contexto, os preços internacionais do algodão em pluma
voltam a cair, após atingirem recordes em março. Como
resultado, tem havido pressão nas paridades de exportação e
importação no Brasil. Em maio, a média mensal do Indicador
CEPEA/ESALQ foi a menor da história para o período, em
termos reais, ficando abaixo inclusive da média de
maio/2005, até então a menor.
Assim, a Conab lançou o leilão de Prêmio Equalizador pago ao
produtor de algodão ou sua cooperativa (Pepro). Até início
de junho, foram realizados dois leilões, que juntos somaram
682,68 mil toneladas, o que corresponde a 43,89% da produção
da safra 2007/08 estimada pela Conab (1,55 milhão
toneladas). Há diferentes prêmios para cada estado, e a
comprovação do escoamento deve ser feita até meados de março
de 2009.
Para agravar a situação de cotonicultores, os custos de
produção tiveram saltos expressivos na última safra,
mantendo-se elevados nos últimos meses. Além disso, a alta
dos preços do óleo diesel deve impactar os custos de
colheita e pressionar ainda mais a margem do produtor.
Nos meses de abril e maio, os preços internos de algodão em
pluma não encontraram fundamentos de suporte, mesmo sendo
período de entressafra. O setor industrial também se
encontra insatisfeito com o desempenho das vendas de fios –
concorrência com os produtos importados, que apresenta
volume de importação crescente. Segundo dados da Secex, em
maio, as importações de fios atingiram 5,8 mil
toneladas, o maior volume desde janeiro/1996. Essa
quantidade é 37,7% superior à do mês anterior e 208,6% maior
que a de maio/07. As exportações, por sua vez, somaram
452,18 toneladas em maio, volume 2,8% maior que o de
abril/08, mas 42,6% menor que o de maio/07.

Figura 1. Evolução do Indicador Cepea/Esalq de algodão em
pluma
Fonte: Cepea
RESTRIÇÃO ARGENTINA ÀS VENDAS DE TRIGO DIFICULTA
ABASTECIMENTO NO BRASIL
A dependência das importações para atender a demanda interna
de trigo e derivados acentuou a preocupação do setor privado
e do governo no primeiro semestre de 2008. A Argentina é o
principal fornecedor do produto ao Brasil, mas, desde final
de novembro, o governo daquele país vem restringindo novos
negócios para exportação, com vistas ao atendimento da
demanda doméstica. Com isso, ainda no primeiro trimestre do
ano, o governo brasileiro lançou medidas para facilitar a
importação de países fora do Mercosul.
Ainda em fevereiro, o governo brasileiro suspendeu a TEC
(Tarifa Externa Comum) para a importação de 1 milhão de
toneladas de países fora do Mercosul até final de junho.
Entretanto, os custos de importação do trigo de países fora
do Mercosul continuaram altos, sem alterar
significativamente a oferta interna. Isto porque,
excluindo-se países do Mercosul, os principais ofertantes
são Estados Unidos e no Canadá, onde é entressafra no
primeiro semestre, com a colheita começando somente em maio.
Além disso, questiona-se se haverá logística para fazer com
que o produto adquirido chegue ao Brasil até final de junho,
prazo máximo de importação do primeiro milhão de toneladas
liberadas com tarifa zero.
Em maio, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a
suspensão do PIS/Cofins contidos na venda de trigo, farinha
e do pão francês até o final de 2008, assim como a
importação de mais 1 milhão de toneladas de trigo livre da
TEC para compras de produto de países fora do Mercosul até
31 de agosto. Outra medida que ajuda na importação do cereal
é a suspensão da cobrança adicional de frete para a
renovação da marinha mercante. Com isso, o governo
brasileiro espera conter as expressivas altas do mercado
interno.
Inicialmente, as medidas não tiveram efeito e, em março, os
preços alcançaram recordes no Paraná. No Rio Grande do Sul,
devido à menor qualidade do produto obtido na última safra,
os preços tiveram uma defasagem em relação aos paranaenses.
As medidas governamentais começaram a surtir efeito em maio,
com quedas das cotações domésticas. O início do período de
plantio e expectativa de crescimento da safra nos principais
estados produtores, Paraná e Rio Grande do Sul, também
contribuíram para pressionar as cotações.
Apesar das medidas, em início de junho ainda permanece a
expectativa quanto ao atendimento da demanda doméstica até a
entrada efetiva do produto brasileiro da nova safra. Entre
janeiro e maio, o Brasil importou 2,9 milhões de toneladas
de trigo, volume 11,8% inferior ao do mesmo período de 2007.
Já a importação de farinha aumentou 40%, somando 317,1 mil
toneladas nos cinco primeiros meses do ano.

Figura 1. Evolução das cotações do trigo no mercado
atacadista da região norte do Paraná
Fonte: Cepea
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