|
Câmara aprova Medida Provisória do Endividamento
A Câmara dos Deputados concluiu nesta quarta-feira (6/8) a votação
da Medida Provisória (MP) 432, que renegocia R$ 75 bilhões em
dívidas dos produtores rurais. Além dos pontos já acrescentados ao
texto pelo relator da matéria, deputado Luiz Carlos Heinze (PP/RS),
foram aprovados mais dois destaques incluídos de última hora na MP.
Um deles, defendido pela bancada ruralista e entidades ligadas à
agropecuária, substitui a Taxa Selic, que está em 13% ao ano, pela
Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), de 6,25%, na correção de
débitos inscritos na Dívida Ativa da União (DAU). O outro destaque
trata da revisão e redução das garantias exigidas para a contratação
de financiamentos. O texto segue, agora, para o Senado, com a
expectativa de análise ainda neste mês. “Esperamos que a votação
seja rápida para ganharmos tempo”, disse Heinze. A MP tem validade
até 8 de outubro.
Apesar de considerar a aprovação importante e necessária para os
produtores rurais, o presidente da Comissão Nacional de Cereais,
Fibras e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do
Brasil (CNA), José Mário Schreiner, disse que a medida é
insuficiente diante da gravidade dos problemas vividos pelo setor
rural nos últimos anos. “São tímidas e o futuro vai dizer isso.
Daqui a um ou dois anos vamos estar novamente discutindo este
problema”, avaliou. Entre os pontos que “ficaram a desejar”,
Schreiner citou o prazo de dois anos para alongamento dos contratos
de custeio prorrogado referentes às safras 2003/2004, 2004/2005 e
2005/2006. “É pouco”, definiu o representante da CNA, defendendo um
prazo de pelo menos cinco anos.
Quanto às dívidas de operações de custeio, o relator da MP, deputado
Luiz Carlos Heinze, informou que conseguiu um acordo com o Governo
para que o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprove, ainda em
agosto, a rolagem, por mais quatro anos, das dívidas referentes aos
contratos de custeio em Mato Grosso, Rio Grande do Sul e municípios
que tiveram estado de emergência decretado nas safras 2003/2004 e
2004/2005. Foi inserida na MP apenas a concessão de bônus de
adimplência para o FAT Giro Rural para operações com cerealistas e
fornecedores, o que não constava no texto original. Segundo Heinze,
o CMN também deverá regulamentar um prazo de cinco anos adicionais
para débitos relativos a contratos de investimentos para municípios
com estado de emergência, principalmente em Santa Catarina, Paraná e
Mato Grosso do Sul. Ainda conforme o relator, há a expectativa do
Conselho votar a dispensa de análise caso a caso para a renegociação
destes débitos.
Nos débitos de securitização, uma das alterações ao texto da MP foi
a permissão para que os mesmos descontos concedidos para liquidação
do passivo em 2008 sejam aplicados para quitação do valor devido até
2010. Já os débitos do PESA (Programa Especial de Saneamento de
Ativos) poderão ter liquidação antecipada, válida apenas para
operações com risco do Tesouro Nacional. Nas dívidas do Funcafé, foi
acrescentado ao texto dispositivo que torna explícito o bônus de
3,75% sobre os juros. Algumas emendas relacionadas à cafeicultura
também asseguraram a contemplação de dívidas relativas às Cédulas de
Produto Rural (CPR), totalizando um passivo de R$ 300 milhões. Nas
operações inscritas na Dívida Ativa da União (DAU), o prazo de
pagamento passou de cinco para 10 anos e será excluído o acréscimo
de 20% no valor da dívida quando a operação passa a ser incluída no
Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público
Federal (Cadin). O prazo para aderir à renegociação das operações
transferidas para a DAU passou para 30 de junho de 2009.
O texto aprovado na Câmara ampliou, também, de 30 de setembro para
30 de dezembro, o prazo para contratação do Fundo de Recebíveis do
Agronegócio, linha criada no ano passado para quitar dívidas com
fornecedores de insumos referentes às safras 2004/2005 e 2005/2006.
Já nas dívidas referentes aos débitos do Programa de Revitalização
da Lavoura Cacaueira, a MP foi alterada para incluir operações
renegociadas no âmbito da Lei 11.322.
Decreto 6514 poderá reduzir 20% da área de produção das propriedades
rurais
A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento
Rural (CAPADR) da Câmara dos Deputados votará na próxima
quarta-feira (13/8) um requerimento de um anteprojeto de Decreto
Legislativo para sustar o Decreto 6514, publicado em julho deste
ano, alterando a Lei de Crimes Ambientais e definindo novas
infrações e sanções administrativas. A revogação dos efeitos desta
nova norma foi defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária e
pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) durante
café da manhã, nesta quarta-feira, em Brasília.
Para o assessor técnico da Comissão Nacional de Meio Ambiente da
CNA, Rodrigo Brito, a obrigatoriedade de averbar a reserva legal em
60 dias, sob pena de multa diária, que varia de R$ 50,00 a R$ 500,00
por hectare é um dos pontos mais graves para o setor agropecuário.
Tal dispositivo representa, segundo o técnico, pelo menos 20% de
redução da área de produção das propriedades rurais, uma vez que é o
percentual mínimo de conservação das espécies nativas de determinada
região.
Na apresentação aos parlamentares, Brito argumentou que esta medida
fere o princípio do direito adquirido assegurado na Constituição.
“Muitos produtores estão nestas áreas há mais de 100 anos, bem antes
da vigência do Código Florestal Brasileiro e agora querem atropelar
este direito”, justificou, acrescentando que a diminuição da área a
partir da averbação impactará no aumento dos custos de produção e,
conseqüentemente, no aumento dos preços dos alimentos. Ressaltou,
também, a gravidade das multas impostas para quem praticar crimes
ambientais, conforme consta em vários artigos do decreto. Segundo
Rodrigo Brito, além de não estarem previstas na Lei de Crimes
Ambientais, estas multas são inconstitucionais, “por terem efeito
confiscatório e suprimirem a ordem econômica”, avaliou o
assessor.
Segundo Brito, as multas impostas por hectare, como propõe o
decreto, “equivalem ao resultado de 10, 20 anos de trabalho do
produtor”. Além das multas relativas a não averbação da reserva
legal, o decreto estabelece outras multas por reincidência de uma
mesma infração em cinco anos, aplicando-se o triplo do valor da
multa para quem for reincidente em uma mesma infração ou a multa em
dobro para quem cometer infrações distintas. Ele também alertou para
a redução do desconto para quem converter o valor da multa em
serviços ambientais. Pelo decreto, o percentual a ser convertido
cairá de 90% para 40%, devendo o restante ser pago. “Em alguns
casos, a multa é mais cara que o valor da terra. Isso reduzirá
muitos acordos, inclusive na justiça”, afirmou.
O representante da CNA também condenou o fato de, mesmo que o
Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis
(IBAMA) ainda não tenha julgado um processo administrativo relativo
a uma suposta prática de crime ambiental, o decreto dê poder aos
servidores do órgão para demolir obras localizadas em áreas de
reserva legal ou de preservação permanente. “É uma volta à ditadura.
Se um processo ainda não foi julgado o servidor não pode fazer
justiça com as próprias mãos”, afirmou. Outra irregularidade
apontada por Brito foi a apreensão de animais para a pecuária. Na
sua avaliação, a Lei de Crimes Ambientais não prevê a apreensão de
animais domésticos, apenas de animais da fauna silvestre e exóticos.
“Não há a previsão legal de apreender boi”, afirmou.
Conab coloca mais arroz no mercado
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vai ofertar 30 mil
toneladas de arroz em casca na próxima quarta-feira (13/8). O
produto está armazenado no Rio Grande do Sul e será comercializado
por meio de leilão eletrônico. Os interessados em participar da
operação devem autorizar um corretor de bolsa de mercadorias para
fazer as negociações. O preço de abertura dos lotes será divulgado
pela estatal na segunda-feira (11/8).
Esta é a segunda rodada para venda do cereal realizada pelo governo
neste semestre. Desde maio, a Conab tem ofertado arroz dos estaques
públicos para estabilizar os preços no mercado. No dia 27 de agosto,
outra operação com 60 mil toneladas de arroz deverá ser
comercializada. O grão está estocado em Santa Catarina e no estado
gaúcho. Após essas rodadas, governo e representantes da cadeia
produtiva reúnem-se para decidir pela continuidade, ou não, dos
leilões. A Conab tem nos armazéns cerca de 1 milhão de toneladas do
cereal.
Gasto mensal com rebanho não passa de R$ 45 mil
O presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor
Nogueira, classificou como absurda a cifra de R$ 1 milhão gasta pelo
Governo para manter três mil cabeças de gado apreendidas há dois
meses na reserva ecológica da Terra do Meio, em Altamira (PA).
Segundo ele, no caso dos bois, um gasto mensal mais exagerado para
manter o boi no pasto custa R$ 15 por cabeça. Com isso, o desembolso
em dois meses, tempo que o gado está sob guarda do Instituto
Nacional de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama),
não poderia passar de R$ 90 mil. “Não tem cabimento gastar mais do
que isso. Para gastar R$ 1 milhão, só se o boi estiver comendo
dinheiro”, afirmou Nogueira.
Em junho, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou que
todo o rebanho bovino que estivesse localizado em áreas com situação
ambiental irregular na Amazônia seria apreendido e leiloado. Até
agora, foram realizados três leilões, todos sem comprador. O próximo
está marcado para o dia 12 de agosto. A falta de comprador nos dois
primeiros leilões fez com que o Governo fizesse, para o terceiro
leilão, um deságio de 60% e fixasse preço mínimo para a venda do
gado apreendido menor do que o leilão anterior. No entanto, duas
liminares do Tribunal Regional Federal da 1ª Região vetaram o
deságio de 60% e estabeleceram valor mínimo idêntico ao do segundo
leilão. Ontem, Minc esteve reunido com o desembargador Antônio Souza
Prudente, que concedeu as duas liminares, para pedir uma reavaliação
das decisões. O desembargador prometeu uma resposta até a próxima
semana.
IBGE eleva previsão para 2008; aumento deve superar 9%
O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ) elevou a
previsão da safra 2008, para 145,1 milhões de toneladas. A projeção
é 1% maior do que a estimativa anterior e representa uma safra
estimada 9% superior à de 2007, quando foram colhidas 133,1 milhões
de toneladas. A estimativa mantém a previsão de safra recorde neste
ano. A área plantada esperada (47,3 milhões de hectares) é 4,3%
maior que a do ano passado. Dados da Conab (Companhia Nacional de
Abastecimento) também confirmam que a produção nacional de grãos
2007/2008 deve ser recorde.
Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE, a
revisão em julho resultou especialmente "a reajustes das culturas de
verão com a colheita concluída, às reavaliações do sorgo, milho e
feijão segunda safras e, ainda, ao acréscimo no plantio do feijão
terceira safra e das culturas de inverno, como o trigo, decorrentes
dos bons preços praticados". Para a Conab, o crescimento deve-se ao
fato da previsão de uma queda acentuada na produção de milho no
Paraná, decorrente das geadas que atingiram o Estado no mês de
junho, não ter se concretizado.
|
O conteúdo deste arquivo
foi elaborado pela equipe Cepea em junho/2008.
Neste arquivo:
Preço do adubo quase dobra em relação à safra 2007/08
Comparação entre retorno dos produtores coloca brasileiro em
situação difícil
Em Londrina, milho é melhor opção; em cascavel, trigo rende
mais
Algodão fica de fora da onda de supervalorizações
Restrição argentina às vendas de trigo dificulta
abastecimento no Brasil
PREÇO DO ADUBO QUASE DOBRA EM RELAÇÃO À SAFRA 2007/08
O preço do adubo formulado básico para a cultura da soja em
maio deste ano esteve 87% maior que o pago, em média, na
safra passada. O valor que produtores receberam pela soja,
no entanto, subiu somente 17% - considerando-se a parte
vendida antecipadamente (a partir de setembro) e o restante
comercializado em maio deste ano, ao preço médio do período.
Mesmo com a produção mundial de soja em níveis recordes, os
preços da oleaginosa subiram puxados pelo aumento da demanda
– tanto para o consumo humano quanto para a produção de
ração e de biodiesel – e, conseqüentemente, da redução do
estoque mundial. Nos Estados Unidos, segundo relatório do
USDA, os estoques reduziram quase 75% entre as safras
2006/07 e 2007/08. O problema dos produtores é que, em
geral, mais da metade da soja havia sido vendida em
contratos antecipados.
Quanto aos fertilizantes, mês a mês têm registrado preços
recordes, em decorrência da menor oferta das
matérias-primas, do crescimento da demanda pelo NPK, em
especial por países como a China e a Índia, e da valorização
do barril do petróleo.
Entre as regiões pesquisadas pelo Cepea/CNA, a maior alta
nos preços do adubo, de 94% - também se comparando maio/08 à
média paga pelos produtores para a safra passada -, foi
verificada em Sorriso (MT), ao passo que a soja valorizou
apenas, 28,7%. Em Rio Verde (GO), a cotação do adubo subiu
93% no mesmo período e da soja, 21%.
No Paraná, o insumo negociado na região de Cascavel teve
aumento de 90% no mesmo período, enquanto a oleaginosa
registrou elevação de apenas 6,3%. Em Londrina, houve
aumento de 86% nos preços do adubo e de 7,2% nos da soja.
Uberaba (MG), Dourados (MS) e
Rondonópolis (MT) foram as regiões – dentre as pesquisadas –
onde os adubos subiram menos. Na região mineira, o valor do
insumo subiu 78% e o da soja, 27%. Em Dourados, o adubo
subiu 75%, enquanto o grão valorizou apenas 12% e, em
Rondonópolis, o preço médio do adubo está 73,6% mais caro em
relação ao da safra 2007/08, e a cotação da soja aumento
apenas 18,6% ao produtor.
Em abril, com o aumento da demanda e dos preços dos
fertilizantes no mercado internacional, o governo chinês
elevou o imposto de exportação de matérias-primas de vários
fertilizantes em até 135%, visando evitar uma possível
escassez da oferta na China. Além disso, a medida tem como
objetivo manter os preços controlados durante o período de
grande demanda para o plantio das lavouras de primavera. A
China é um dos maiores produtores mundiais de fertilizantes,
e a tributação sobre os embarques deverá elevar ainda mais
os preços em países como o Brasil.
Com os preços dos fertilizantes em alta, muitos produtores
cogitam a possibilidade de reduzir a quantidade do insumo no
solo. Em algumas regiões, isso pode ser possível sem perda
de produtividade. É fundamental, contudo, que essa redução
seja feita a partir de análise de solo que indique tal
possibilidade e que escala. Caso contrário, o produtor vai
correr o risco de ter uma frustração de safra, algo não
aceitável num mercado competitivo via preço como o da soja.
Tabela 1. Preço em reais do fertilizante utilizado na safra
2007/08 da soja em relação ao de maio de 2008.
|
|
Safra 07/08 |
Maio/08 |
% |
% |
|
|
Preço médio soja R$/sc
60kg |
Adubo básico
(no plantio 07/08)
R$/t |
Preço médio soja R$/sc
60kg |
Adubo básico
(preço do mês)
R$/t |
Preço médio soja
|
Adubo básico |
|
Sorriso (MT) |
26,51 |
722 |
34,11 |
1403,0 |
28,7% |
94,3% |
|
Rondonópolis (MT) |
32,66 |
703 |
38,72 |
1361,0 |
18,6% |
93,6% |
|
Dourados (MS) |
34,60 |
830 |
38,84 |
1451,0 |
12,3% |
74,8% |
|
Rio Verde (GO) |
32,62 |
700 |
39,35 |
1350,3 |
20,6% |
92,9% |
|
Uberaba (MG) |
33,61 |
780 |
42,70 |
1390,0 |
27,1% |
78,2% |
|
Cascavel (PR) |
38,20 |
700 |
40,71 |
1331,0 |
6,6% |
90,1% |
|
Londrina (PR) |
38,00 |
760 |
40,74 |
1410,0 |
7,2% |
85,5% |
Fonte: Cepea/CNA
QUANTO CUSTA PRODUZIR SOJA NO BRASIL, ARGENTINA E EUA?
O Cepea e a CNA representam o Brasil no Agri Benchmark,
projeto sediado na Alemanha que reúne pesquisadores e
representantes de entidades e governos de vários países. O
propósito é compreender melhor como são as fazendas pelo
mundo através de comparações. Para tanto, as instituições
parceiras adotam metodologias comuns.
Informações microeconômicas da produção brasileira de grãos
passam a ser comparadas com as de outros 14 países: França,
Hungria, Alemanha, Itália, Suíça, Dinamarca, Reino Unido,
Polônia, Ucrânia, Canadá, Estados Unidos, África do Sul,
China e Malásia. A partir de análises, é possível apresentar
o Brasil sem estereótipos, com informações técnicas
atualizadas.
O método de coleta recomendado pela entidade que coordena o
projeto, o IFCN, é o Painel, que consiste em reunião com
grupo de até 10 produtores para a composição de uma
propriedade típica de cada região visitada. Além do
inventário da propriedade, são coletados quantidades
utilizadas de insumos e os preços pagos localmente por
produtores. Os dados do Brasil têm sido levantados por
pesquisadores do Cepea, com apoio financeiro da CNA.
No caso da produção de soja, a comparação tem sido feita
entre o Brasil, Argentina e Estados Unidos. Para as
comparações sobre a safra 2006/07, do Brasil, foram enviadas
informações sobre propriedades típicas do Paraná, Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul e de Goiás.
De Mato Grosso, foi destacada como fazenda típica de
produção de soja uma propriedade de 1.300 ha de área
agrícola (BR-1300, MT), que no verão cultiva 100% da área
com soja e, no inverno, 25% com milho safrinha – o restante
não tem aproveitamento comercial. No Paraná, a propriedade
típica submetida para comparações internacionais tem 169 ha
(BR-169, PR), cultiva 80% desta área com soja no verão e os
20% restantes, com milho; no inverno, 80% é de milho. Em
Goiás, a propriedade típica tem 480 ha (BR-480, GO), com
100% da área ocupada com soja no verão e 31% com milho no
inverno – o restante não é usado comercialmente.
COMPARAÇÃO ENTRE RETORNO DOS PRODUTORES COLOCA BRASILEIRO EM
SITUAÇÃO DIFÍCIL
Entre todas as propriedades analisadas (dos três países) na
safra 2006/07, o maior custo operacional foi verificado no
Brasil, na propriedade do Paraná, onde produzir um hectare
de soja custou US$ 438,00 na safra 2006/07. Na seqüência,
estão: a fazenda de Iowa, nos Estados Unidos (US-700, IA),
com US$ 366,00/ha e a de Mato Grosso (BR-1300 – MT), com US$
332,00/ha. Já os menores custos operacionais foram
registrados na Argentina, na província de Buenos Aires, com
US$ 150,00/ha (AR-2300, BAr) e com US$ 227,00/ha (AR-50000,
BAr).
O terceiro menor custo operacional ficou para o estado de
Goiás (BR-480, GO) e para Dakota do Norte (US-3050, ND),
ambos com US$ 291,00/ha.
Considerando somente o custo operacional, a produção de soja
na Argentina está muito à frente da brasileira. O custo de
produção daquele país é favorecido em três aspectos em
relação ao o Brasil: baixo uso de fertilizantes, baixo custo
com os herbicidas e incidência reduzida de doenças – não há
grandes infestações de ferrugem asiática.
A principal vantagem competitiva da produção argentina
diante da brasileira é a alta fertilidade do solo, que
implica o uso reduzido de adubos químicos. Em algumas
propriedades, esse insumo sequer é utilizado e, noutras, seu
custo chega ao máximo de US$ 17,00/ha. Em situação bem
diferente, os brasileiros investem uma grande parcela do
capital em fertilizantes, gastando de US$ 63,00/ha, no
Paraná, a US$ 79,00/ha, em Mato Grosso. Nos Estados Unidos,
o dispêndio com fertilizantes vai de US$ 18,00/ha em Dakota
do Norte a US$ 78,00 em Iowa.
Os gastos com herbicida na Argentina na safra 2006/07 foram
apurados em cerca de US$ 29,00/ha. No Brasil, são de
aproximadamente US$ 75,00/ha, no Paraná, e de US$ 53,00/ha,
em Mato Grosso. Quanto a doenças e pragas, os argentinos e
os norte-americanos não apresentaram gastos significativos.
No entanto, nas lavouras do Brasil, foram registrados custos
com controle de pragas e ferrugem asiática de US$ 65,00/ha,
em Mato Grosso, a US$ 72,00/ha, no Paraná.
Em relação às propriedades típicas dos Estados Unidos, os
argentinos apresentaram vantagem somente no que diz respeito
aos fertilizantes, pois os gastos com herbicidas são
semelhantes. No caso de fungicidas e inseticidas, os
norte-americanos não apresentaram nenhum gasto, enquanto na
Argentina despende-se de US$ 1,50/ha a US$ 3,00/ha.

Figura 1 – Comparação de custo de produção da soja entre
Brasil, Argentina e Estados Unidos, para o ano de 2006.
Fonte: Agri benchmark (2007) – elaborado por Cepea
Quando se analisa o custo total de produção da soja,
incluindo-se o custo da terra, a depreciação das máquinas e
outros custos fixos, verifica-se que a soja produzida no
estado de Iowa, nos Estados Unidos (US-700, IA), demanda US$
745,00/ha, seguida pela província de Buenos Aires, na
Argentina (AR-2300B, BAr), com US$ 617,00/ha e pelo Paraná,
no Brasil (BR-169, PR), com US$ 602,00/ha.
Embora a região de Iowa tenha apresentado na safra 2006/07 o
maior custo total por hectare de soja, não é possível
afirmar que esta foi a região menos competitiva. O indicador
mais indicado para dar resposta sobre competitividade é o
retorno por unidade monetária investida. A figura abaixo
mostra que, mesmo com a região de Iowa apresentando o maior
custo por hectare, teve um retorno positivo por unidade
monetária investida. Para cada US$ 1,00 investido, o retorno
foi de US$ 1,12, ou de 12%. Já as propriedades típicas de
Dakota do Norte estão no vermelho, com retorno negativo
entre 6 e 7%.
A propriedade típica da Argentina (AR-2300, BAr) apresentou
o menor custo operacional, mas, com o custo da terra, teve o
segundo maior custo por hectare e o pior retorno por unidade
monetária investida. No Brasil, as propriedades típicas dos
estados de MT e do PR também demonstraram retorno negativo,
sinalizando que o investimento na atividade não está
remunerando o valor da terra e a depreciação da
infra-estrutura. Com efeito, a persistência desse cenário
representa a falta de sustentabilidade do negócio. Entre as
brasileiras, somente a propriedade de Goiás obteve retorno
positivo, de 12%.
Na próxima edição deste informativo, será apresentado o
cálculo de retorno por Real investido por brasileiros na
safra 2007/08.

Fonte: Agri benchmark (2007) – elaborado por Cepea
EM LONDRINA, MILHO É MELHOR OPÇÃO; EM CASCAVEL, TRIGO RENDE
MAIS
Em Londrina, o produtor que optou pelo milho na safrinha,
obteve retorno de 21,5%; aqueles que cultivaram o trigo
conseguiram 16,9%. Em nenhum dos casos há motivo para
lamentação! Já em Cascavel, para cada R$ 1,00 investido no
trigo, o produtor colheu R$ 1,09; o milho, porém, teve
retorno de apenas 3,5% nesta região.
Apesar disso, é preciso considerar que um pequeno aumento da
produtividade ou dos preços tornaria esta cultura mais
atrativa que a do trigo. Tradicionalmente, o milho agrada
mais aos produtores por ter maior liquidez e risco de
produção um pouco menor que o do trigo.
O principal motivo para o baixo retorno do milho safrinha em
Cascavel foi o gasto com fertilizantes. Produtores desta
região despenderam quase 30% a mais com este insumo que os
de Londrina. Já quando se inclui na comparação os demais
itens de custos (operacionais), o dispêndio de Cascavel
torna-se 17,5% maior que o de Londrina, implicando
diretamente no menor retorno. Quanto à produtividade e aos
preços, foram considerados valores iguais.
Para o trigo, a vantagem de Londrina sobre Cascavel decorre
basicamente da produtividade um pouco maior, tendo em vista
que os custos operacionais e também os preços considerados
foram muito próximos.
Mais do que apontar os resultados consolidados da safrinha
atual, este levantamento deixa clara a importância de
pesquisas detalhadas em cada região para que produtores
identifiquem qual é, para a sua área em específico, a
cultura mais rentável em cada período.
|
|
Cascavel 07/08 |
Londrina 07/08 |
|
|
Milho safrinha |
Trigo |
Milho safrinha |
Trigo |
|
Insumos |
R$ 882,90
|
R$ 558,78
|
R$ 721,94
|
R$ 655,69
|
|
Fertilizantes |
R$
478,00 |
R$
265,00 |
R$
371,49 |
R$
305,48 |
|
Sementes |
R$
210,00 |
R$
150,00 |
R$
187,00 |
R$
210,00 |
|
Herbicidas |
R$
53,00 |
R$
36,50 |
R$
57,64 |
R$
27,11 |
|
Inseticidas |
R$
46,50 |
R$ 9,18 |
R$
51,14 |
R$
25,42 |
|
Fungicidas |
R$
35,40 |
R$
54,00 |
R$ - |
R$
75,00 |
|
Trat.
Semente |
R$
60,00 |
R$
40,50 |
R$
54,67 |
R$
12,69 |
|
Adjuvante |
R$ - |
R$ 3,60 |
R$ - |
R$ - |
|
Prep. solo/Plantio |
R$ 113,17
|
R$ 31,17
|
R$ 75,08
|
R$ 41,32
|
|
Tratos culturais |
R$ 105,66
|
R$ 122,28
|
R$ 74,49
|
R$ 74,49
|
|
Colheita |
R$ 70,75
|
R$ 56,60
|
R$ 139,09
|
R$ 65,45
|
|
Transp. da produção |
R$ 128,00
|
R$ 29,60
|
R$ 75,00
|
R$ 40,00
|
|
Mão de obra |
R$ 18,76
|
R$ 86,91
|
R$ 26,33
|
R$ 5,59
|
|
Comerc./Armaz. |
R$ -
|
R$ -
|
R$ -
|
R$ -
|
|
Impostos |
R$ 34,16
|
R$ 25,53
|
R$ 34,16
|
R$ 27,42
|
|
Seguro |
R$ 2,79
|
R$ 12,85
|
R$ 6,88
|
R$ 8,04
|
|
Assistência técnica |
R$ 5,96
|
R$ 6,42
|
R$ 2,07
|
R$ 6,32
|
|
Financ. Capital Giro |
R$ 72,31
|
R$ 86,14
|
R$ 66,76
|
R$ 95,49
|
|
Custo Operacional |
R$ 1.434,45
|
R$ 1.016,28
|
R$ 1.221,79
|
R$ 1.019,81
|
|
Produtividade |
75 |
37 |
75,00
|
40 |
|
Preço médio |
R$ 19,80
|
R$ 30,00
|
| | |