Câmara aprova Medida Provisória do Endividamento

Decreto 6514 poderá reduzir 20% da área de produção das propriedades rurais

Conab coloca mais arroz no mercado

Gasto mensal com rebanho não passa de R$ 45 mil

CEPEA faz avaliação do preço do adubo em comparação com 2007

Câmara aprova Medida Provisória do Endividamento

 

A Câmara dos Deputados concluiu nesta quarta-feira (6/8) a votação da Medida Provisória (MP) 432, que renegocia R$ 75 bilhões em dívidas dos produtores rurais. Além dos pontos já acrescentados ao texto pelo relator da matéria, deputado Luiz Carlos Heinze (PP/RS), foram aprovados mais dois destaques incluídos de última hora na MP. Um deles, defendido pela bancada ruralista e entidades ligadas à agropecuária, substitui a Taxa Selic, que está em 13% ao ano, pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), de 6,25%, na correção de débitos inscritos na Dívida Ativa da União (DAU). O outro destaque trata da revisão e redução das garantias exigidas para a contratação de financiamentos. O texto segue, agora, para o Senado, com a expectativa de análise ainda neste mês. “Esperamos que a votação seja rápida para ganharmos tempo”, disse Heinze. A MP tem validade até 8 de outubro.

 

Apesar de considerar a aprovação importante e necessária para os produtores rurais, o presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), José Mário Schreiner, disse que a medida é insuficiente diante da gravidade dos problemas vividos pelo setor rural nos últimos anos. “São tímidas e o futuro vai dizer isso. Daqui a um ou dois anos vamos estar novamente discutindo este problema”, avaliou. Entre os pontos que “ficaram a desejar”, Schreiner citou o prazo de dois anos para alongamento dos contratos de custeio prorrogado referentes às safras 2003/2004, 2004/2005 e 2005/2006. “É pouco”, definiu o representante da CNA, defendendo um prazo de pelo menos cinco anos.

 

Quanto às dívidas de operações de custeio, o relator da MP, deputado Luiz Carlos Heinze, informou que conseguiu um acordo com o Governo para que o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprove, ainda em agosto, a rolagem, por mais quatro anos, das dívidas referentes aos contratos de custeio em Mato Grosso, Rio Grande do Sul e municípios que tiveram estado de emergência decretado nas safras 2003/2004 e 2004/2005. Foi inserida na MP apenas a concessão de bônus de adimplência para o FAT Giro Rural para operações com cerealistas e fornecedores, o que não constava no texto original. Segundo Heinze, o CMN também deverá regulamentar um prazo de cinco anos adicionais para débitos relativos a contratos de investimentos para municípios com estado de emergência, principalmente em Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. Ainda conforme o relator, há a expectativa do Conselho votar a dispensa de análise caso a caso para a renegociação destes débitos.

 

Nos débitos de securitização, uma das alterações ao texto da MP foi a permissão para que os mesmos descontos concedidos para liquidação do passivo em 2008 sejam aplicados para quitação do valor devido até 2010. Já os débitos do PESA (Programa Especial de Saneamento de Ativos) poderão ter liquidação antecipada, válida apenas para operações com risco do Tesouro Nacional. Nas dívidas do Funcafé, foi acrescentado ao texto dispositivo que torna explícito o bônus de 3,75% sobre os juros. Algumas emendas relacionadas à cafeicultura também asseguraram a contemplação de dívidas relativas às Cédulas de Produto Rural (CPR), totalizando um passivo de R$ 300 milhões. Nas operações inscritas na Dívida Ativa da União (DAU), o prazo de pagamento passou de cinco para 10 anos e será excluído o acréscimo de 20% no valor da dívida quando a operação passa a ser incluída no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin). O prazo para aderir à renegociação das operações transferidas para a DAU passou para 30 de junho de 2009.

 

O texto aprovado na Câmara ampliou, também, de 30 de setembro para 30 de dezembro, o prazo para contratação do Fundo de Recebíveis do Agronegócio, linha criada no ano passado para quitar dívidas com fornecedores de insumos referentes às safras 2004/2005 e 2005/2006. Já nas dívidas referentes aos débitos do Programa de Revitalização da Lavoura Cacaueira, a MP foi alterada para incluir operações renegociadas no âmbito da Lei 11.322.       

 

 

 

 

 

Decreto 6514 poderá reduzir 20% da área de produção das propriedades rurais

 

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara dos Deputados votará na próxima quarta-feira (13/8) um requerimento de um anteprojeto de Decreto Legislativo para sustar o Decreto 6514, publicado em julho deste ano, alterando a Lei de Crimes Ambientais e definindo novas infrações e sanções administrativas. A revogação dos efeitos desta nova norma foi defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária e pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) durante café da manhã, nesta quarta-feira, em Brasília.

 

Para o assessor técnico da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA, Rodrigo Brito, a obrigatoriedade de averbar a reserva legal em 60 dias, sob pena de multa diária, que varia de R$ 50,00 a R$ 500,00 por hectare é um dos pontos mais graves para o setor agropecuário. Tal dispositivo representa, segundo o técnico, pelo menos 20% de redução da área de produção das propriedades rurais, uma vez que é o percentual mínimo de conservação das espécies nativas de determinada região.

 

Na apresentação aos parlamentares, Brito argumentou que esta medida fere o princípio do direito adquirido assegurado na Constituição. “Muitos produtores estão nestas áreas há mais de 100 anos, bem antes da vigência do Código Florestal Brasileiro e agora querem atropelar este direito”, justificou, acrescentando que a diminuição da área a partir da averbação impactará no aumento dos custos de produção e, conseqüentemente, no aumento dos preços dos alimentos. Ressaltou, também, a gravidade das multas impostas para quem praticar crimes ambientais, conforme consta em vários artigos do decreto. Segundo Rodrigo Brito, além de não estarem previstas na Lei de Crimes Ambientais, estas multas são inconstitucionais, “por terem efeito confiscatório e suprimirem a ordem econômica”, avaliou o assessor.      

 

Segundo Brito, as multas impostas por hectare, como propõe o decreto, “equivalem ao resultado de 10, 20 anos de trabalho do produtor”. Além das multas relativas a não averbação da reserva legal, o decreto estabelece outras multas por reincidência de uma mesma infração em cinco anos, aplicando-se o triplo do valor da multa para quem for reincidente em uma mesma infração ou a multa em dobro para quem cometer infrações distintas. Ele também alertou para a redução do desconto para quem converter o valor da multa em serviços ambientais. Pelo decreto, o percentual a ser convertido cairá de 90% para 40%, devendo o restante ser pago. “Em alguns casos, a multa é mais cara que o valor da terra. Isso reduzirá muitos acordos, inclusive na justiça”, afirmou.

 

O representante da CNA também condenou o fato de, mesmo que o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) ainda não tenha julgado um processo administrativo relativo a uma suposta prática de crime ambiental, o decreto dê poder aos servidores do órgão para demolir obras localizadas em áreas de reserva legal ou de preservação permanente. “É uma volta à ditadura. Se um processo ainda não foi julgado o servidor não pode fazer justiça com as próprias mãos”, afirmou. Outra irregularidade apontada por Brito foi a apreensão de animais para a pecuária. Na sua avaliação, a Lei de Crimes Ambientais não prevê a apreensão de animais domésticos, apenas de animais da fauna silvestre e exóticos. “Não há a previsão legal de apreender boi”, afirmou.     

 

 

 

 

 

Conab coloca mais arroz no mercado

 

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vai ofertar 30 mil toneladas de arroz em casca na próxima quarta-feira (13/8). O produto está armazenado no Rio Grande do Sul e será comercializado por meio de leilão eletrônico. Os interessados em participar da operação devem autorizar um corretor de bolsa de mercadorias para fazer as negociações. O preço de abertura dos lotes será divulgado pela estatal na segunda-feira (11/8).

 

Esta é a segunda rodada para venda do cereal realizada pelo governo neste semestre. Desde maio, a Conab tem ofertado arroz dos estaques públicos para estabilizar os preços no mercado. No dia 27 de agosto, outra operação com 60 mil toneladas de arroz deverá ser comercializada. O grão está estocado em Santa Catarina e no estado gaúcho. Após essas rodadas, governo e representantes da cadeia produtiva reúnem-se para decidir pela continuidade, ou não, dos leilões. A Conab tem nos armazéns cerca de 1 milhão de toneladas do cereal.

 

 

 

 

 

Gasto mensal com rebanho não passa de R$ 45 mil

 

O presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, classificou como absurda a cifra de R$ 1 milhão gasta pelo Governo para manter três mil cabeças de gado apreendidas há dois meses na reserva ecológica da Terra do Meio, em Altamira (PA). Segundo ele, no caso dos bois, um gasto mensal mais exagerado para manter o boi no pasto custa R$ 15 por cabeça. Com isso, o desembolso em dois meses, tempo que o gado está sob guarda do Instituto Nacional de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), não poderia passar de R$ 90 mil. “Não tem cabimento gastar mais do que isso. Para gastar R$ 1 milhão, só se o boi estiver comendo dinheiro”, afirmou Nogueira.

 

Em junho, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou que todo o rebanho bovino que estivesse localizado em áreas com situação ambiental irregular na Amazônia seria apreendido e leiloado. Até agora, foram realizados três leilões, todos sem comprador. O próximo está marcado para o dia 12 de agosto. A falta de comprador nos dois primeiros leilões fez com que o Governo fizesse, para o terceiro leilão, um deságio de 60% e fixasse preço mínimo para a venda do gado apreendido menor do que o leilão anterior. No entanto, duas liminares do Tribunal Regional Federal da 1ª Região vetaram o deságio de 60% e estabeleceram valor mínimo idêntico ao do segundo leilão. Ontem, Minc esteve reunido com o desembargador Antônio Souza Prudente, que concedeu as duas liminares, para pedir uma reavaliação das decisões. O desembargador prometeu uma resposta até a próxima semana.

 

IBGE eleva previsão para 2008; aumento deve superar 9%

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ) elevou a previsão da safra 2008, para 145,1 milhões de toneladas. A projeção é 1% maior do que a estimativa anterior e representa uma safra estimada 9% superior à de 2007, quando foram colhidas 133,1 milhões de toneladas.  A estimativa mantém a previsão de safra recorde neste ano. A área plantada esperada (47,3 milhões de hectares) é 4,3% maior que a do ano passado. Dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) também confirmam que a produção nacional de grãos 2007/2008 deve ser recorde.

 

Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE, a revisão em julho resultou especialmente "a reajustes das culturas de verão com a colheita concluída, às reavaliações do sorgo, milho e feijão segunda safras e, ainda, ao acréscimo no plantio do feijão terceira safra e das culturas de inverno, como o trigo, decorrentes dos bons preços praticados". Para a Conab, o crescimento deve-se ao fato da previsão de uma queda acentuada na produção de milho no Paraná, decorrente das geadas que atingiram o Estado no mês de junho, não ter se concretizado.

 

 

 

 

O conteúdo deste arquivo foi elaborado pela equipe Cepea em junho/2008.

 

Neste arquivo:

Preço do adubo quase dobra em relação à safra 2007/08

Quanto custa produzir soja no Brasil, Argentina e EUA?

Comparação entre retorno dos produtores coloca brasileiro em situação difícil

Em Londrina, milho é melhor opção; em cascavel, trigo rende mais

Otimismo com a soja permanece para segundo semestre

Preços externos do milho podem sustentar cotação interna

Algodão fica de fora da onda de supervalorizações

Restrição argentina às vendas de trigo dificulta abastecimento no Brasil

 

PREÇO DO ADUBO QUASE DOBRA EM RELAÇÃO À SAFRA 2007/08

 

O preço do adubo formulado básico para a cultura da soja em maio deste ano esteve 87% maior que o pago, em média, na safra passada. O valor que produtores receberam pela soja, no entanto, subiu somente 17% - considerando-se a parte vendida antecipadamente (a partir de setembro) e o restante comercializado em maio deste ano, ao preço médio do período.

 

Mesmo com a produção mundial de soja em níveis recordes, os preços da oleaginosa subiram puxados pelo aumento da demanda – tanto para o consumo humano quanto para a produção de ração e de biodiesel – e, conseqüentemente, da redução do estoque mundial.  Nos Estados Unidos, segundo relatório do USDA, os estoques reduziram quase 75% entre as safras 2006/07 e 2007/08. O problema dos produtores é que, em geral, mais da metade da soja havia sido vendida em contratos antecipados.

 

Quanto aos fertilizantes, mês a mês têm registrado preços recordes, em decorrência da menor oferta das matérias-primas, do crescimento da demanda pelo NPK, em especial por países como a China e a Índia, e da valorização do barril do petróleo.

 

Entre as regiões pesquisadas pelo Cepea/CNA, a maior alta nos preços do adubo, de 94% - também se comparando maio/08 à média paga pelos produtores para a safra passada -, foi verificada em Sorriso (MT), ao passo que a soja valorizou apenas, 28,7%. Em Rio Verde (GO), a cotação do adubo subiu 93% no mesmo período e da soja, 21%.

 

No Paraná, o insumo negociado na região de Cascavel teve aumento de 90% no mesmo período, enquanto a oleaginosa registrou elevação de apenas 6,3%. Em Londrina, houve aumento de 86% nos preços do adubo e de 7,2% nos da soja.

 

Uberaba (MG), Dourados (MS) e Rondonópolis (MT) foram as regiões – dentre as pesquisadas – onde os adubos subiram menos. Na região mineira, o valor do insumo subiu 78% e o da soja, 27%. Em Dourados, o adubo subiu 75%, enquanto o grão valorizou apenas 12% e, em Rondonópolis, o preço médio do adubo está 73,6% mais caro em relação ao da safra 2007/08, e a cotação da soja aumento apenas 18,6% ao produtor.

 

Em abril, com o aumento da demanda e dos preços dos fertilizantes no mercado internacional, o governo chinês elevou o imposto de exportação de matérias-primas de vários fertilizantes em até 135%, visando evitar uma possível escassez da oferta na China. Além disso, a medida tem como objetivo manter os preços controlados durante o período de grande demanda para o plantio das lavouras de primavera. A China é um dos maiores produtores mundiais de fertilizantes, e a tributação sobre os embarques deverá elevar ainda mais os preços em países como o Brasil.

 

Com os preços dos fertilizantes em alta, muitos produtores cogitam a possibilidade de reduzir a quantidade do insumo no solo. Em algumas regiões, isso pode ser possível sem perda de produtividade. É fundamental, contudo, que essa redução seja feita a partir de análise de solo que indique tal possibilidade e que escala. Caso contrário, o produtor vai correr o risco de ter uma frustração de safra, algo não aceitável num mercado competitivo via preço como o da soja.

 

Tabela 1. Preço em reais do fertilizante utilizado na safra 2007/08 da soja em relação ao de maio de 2008.

 

 

Safra 07/08

Maio/08

%

%

 

Preço médio soja R$/sc 60kg

Adubo básico

(no plantio 07/08)

R$/t

Preço médio soja R$/sc 60kg

Adubo básico

(preço do mês)

R$/t

Preço médio soja

 

Adubo básico

Sorriso (MT)

26,51

722

34,11

1403,0

28,7%

94,3%

Rondonópolis (MT)

32,66

703

38,72

1361,0

18,6%

93,6%

Dourados (MS)

34,60

830

38,84

1451,0

12,3%

74,8%

Rio Verde (GO)

32,62

700

39,35

1350,3

20,6%

92,9%

Uberaba (MG)

33,61

780

42,70

1390,0

27,1%

78,2%

Cascavel (PR)

38,20

700

40,71

1331,0

6,6%

90,1%

Londrina (PR)

38,00

760

40,74

1410,0

7,2%

85,5%

Fonte: Cepea/CNA

 

QUANTO CUSTA PRODUZIR SOJA NO BRASIL, ARGENTINA E EUA?

 

O Cepea e a CNA representam o Brasil no Agri Benchmark, projeto sediado na Alemanha que reúne pesquisadores e representantes de entidades e governos de vários países. O propósito é compreender melhor como são as fazendas pelo mundo através de comparações. Para tanto, as instituições parceiras adotam metodologias comuns.

 

Informações microeconômicas da produção brasileira de grãos passam a ser comparadas com as de outros 14 países: França, Hungria, Alemanha, Itália, Suíça, Dinamarca, Reino Unido, Polônia, Ucrânia, Canadá, Estados Unidos, África do Sul, China e Malásia. A partir de análises, é possível apresentar o Brasil sem estereótipos, com informações técnicas atualizadas.

 

O método de coleta recomendado pela entidade que coordena o projeto, o IFCN, é o Painel, que consiste em reunião com grupo de até 10 produtores para a composição de uma propriedade típica de cada região visitada. Além do inventário da propriedade, são coletados quantidades utilizadas de insumos e os preços pagos localmente por produtores. Os dados do Brasil têm sido levantados por pesquisadores do Cepea, com apoio financeiro da CNA. 

 

No caso da produção de soja, a comparação tem sido feita entre o Brasil, Argentina e Estados Unidos. Para as comparações sobre a safra 2006/07, do Brasil, foram enviadas informações sobre propriedades típicas do Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e de Goiás.

 

De Mato Grosso, foi destacada como fazenda típica de produção de soja uma propriedade de 1.300 ha de área agrícola (BR-1300, MT), que no verão cultiva 100% da área com soja e, no inverno, 25% com milho safrinha – o restante não tem aproveitamento comercial. No Paraná, a propriedade típica submetida para comparações internacionais tem 169 ha (BR-169, PR), cultiva 80% desta área com soja no verão e os 20% restantes, com milho; no inverno, 80% é de milho. Em Goiás, a propriedade típica tem 480 ha (BR-480, GO), com 100% da área ocupada com soja no verão e 31% com milho no inverno – o restante não é usado comercialmente.

 

 

COMPARAÇÃO ENTRE RETORNO DOS PRODUTORES COLOCA BRASILEIRO EM SITUAÇÃO DIFÍCIL

 

Entre todas as propriedades analisadas (dos três países) na safra 2006/07, o maior custo operacional foi verificado no Brasil, na propriedade do Paraná, onde produzir um hectare de soja custou US$ 438,00 na safra 2006/07. Na seqüência, estão: a fazenda de Iowa, nos Estados Unidos (US-700, IA), com US$ 366,00/ha e a de Mato Grosso (BR-1300 – MT), com US$ 332,00/ha. Já os menores custos operacionais foram registrados na Argentina, na província de Buenos Aires, com US$ 150,00/ha (AR-2300, BAr) e com US$ 227,00/ha (AR-50000, BAr).

 

O terceiro menor custo operacional ficou para o estado de Goiás (BR-480, GO) e para Dakota do Norte (US-3050, ND), ambos com US$ 291,00/ha.

 

Considerando somente o custo operacional, a produção de soja na Argentina está muito à frente da brasileira. O custo de produção daquele país é favorecido em três aspectos em relação ao o Brasil: baixo uso de fertilizantes, baixo custo com os herbicidas e incidência reduzida de doenças – não há grandes infestações de ferrugem asiática.

 

A principal vantagem competitiva da produção argentina diante da brasileira é a alta fertilidade do solo, que implica o uso reduzido de adubos químicos. Em algumas propriedades, esse insumo sequer é utilizado e, noutras, seu custo chega ao máximo de US$ 17,00/ha. Em situação bem diferente, os brasileiros investem uma grande parcela do capital em fertilizantes, gastando de US$ 63,00/ha, no Paraná, a US$ 79,00/ha, em Mato Grosso. Nos Estados Unidos, o dispêndio com fertilizantes vai de US$ 18,00/ha em Dakota do Norte a US$ 78,00 em Iowa.

 

Os gastos com herbicida na Argentina na safra 2006/07 foram apurados em cerca de US$ 29,00/ha. No Brasil, são de aproximadamente US$ 75,00/ha, no Paraná, e de US$ 53,00/ha, em Mato Grosso. Quanto a doenças e pragas, os argentinos e os norte-americanos não apresentaram gastos significativos. No entanto, nas lavouras do Brasil, foram registrados custos com controle de pragas e ferrugem asiática de US$ 65,00/ha, em Mato Grosso, a US$ 72,00/ha, no Paraná.

 

Em relação às propriedades típicas dos Estados Unidos, os argentinos apresentaram vantagem somente no que diz respeito aos fertilizantes, pois os gastos com herbicidas são semelhantes. No caso de fungicidas e inseticidas, os norte-americanos não apresentaram nenhum gasto, enquanto na Argentina despende-se de US$ 1,50/ha a US$ 3,00/ha.

Figura 1 – Comparação de custo de produção da soja entre Brasil, Argentina e Estados Unidos, para o ano de 2006.

Fonte: Agri benchmark (2007) – elaborado por Cepea

 

Quando se analisa o custo total de produção da soja, incluindo-se o custo da terra, a depreciação das máquinas e outros custos fixos, verifica-se que a soja produzida no estado de Iowa, nos Estados Unidos (US-700, IA), demanda US$ 745,00/ha, seguida pela província de Buenos Aires, na Argentina (AR-2300B, BAr), com US$ 617,00/ha e pelo Paraná, no Brasil (BR-169, PR), com US$ 602,00/ha.

 

Embora a região de Iowa tenha apresentado na safra 2006/07 o maior custo total por hectare de soja, não é possível afirmar que esta foi a região menos competitiva. O indicador mais indicado para dar resposta sobre competitividade é o retorno por unidade monetária investida. A figura abaixo mostra que, mesmo com a região de Iowa apresentando o maior custo por hectare, teve um retorno positivo por unidade monetária investida. Para cada US$ 1,00 investido, o retorno foi de US$ 1,12, ou de 12%. Já as propriedades típicas de Dakota do Norte estão no vermelho, com retorno negativo entre 6 e 7%.

 

A propriedade típica da Argentina (AR-2300, BAr) apresentou o menor custo operacional, mas, com o custo da terra, teve o segundo maior custo por hectare e o pior retorno por unidade monetária investida. No Brasil, as propriedades típicas dos estados de MT e do PR também demonstraram retorno negativo, sinalizando que o investimento na atividade não está remunerando o valor da terra e a depreciação da infra-estrutura. Com efeito, a persistência desse cenário representa a falta de sustentabilidade do negócio. Entre as brasileiras, somente a propriedade de Goiás obteve retorno positivo, de 12%.

 

Na próxima edição deste informativo, será apresentado o cálculo de retorno por Real investido por brasileiros na safra 2007/08.

 

 

Fonte: Agri benchmark (2007) – elaborado por Cepea

 

 

EM LONDRINA, MILHO É MELHOR OPÇÃO; EM CASCAVEL, TRIGO RENDE MAIS

 

 Em Londrina, o produtor que optou pelo milho na safrinha, obteve retorno de 21,5%; aqueles que cultivaram o trigo conseguiram 16,9%. Em nenhum dos casos há motivo para lamentação! Já em Cascavel, para cada R$ 1,00 investido no trigo, o produtor colheu R$ 1,09; o milho, porém, teve retorno de apenas 3,5% nesta região.

 

Apesar disso, é preciso considerar que um pequeno aumento da produtividade ou dos preços tornaria esta cultura mais atrativa que a do trigo. Tradicionalmente, o milho agrada mais aos produtores por ter maior liquidez e risco de produção um pouco menor que o do trigo.

 

O principal motivo para o baixo retorno do milho safrinha em Cascavel foi o gasto com fertilizantes. Produtores desta região despenderam quase 30% a mais com este insumo que os de Londrina. Já quando se inclui na comparação os demais itens de custos (operacionais), o dispêndio de Cascavel torna-se 17,5% maior que o de Londrina, implicando diretamente no menor retorno. Quanto à produtividade e aos preços, foram considerados valores iguais.

 

Para o trigo, a vantagem de Londrina sobre Cascavel decorre basicamente da produtividade um pouco maior, tendo em vista que os custos operacionais e também os preços considerados foram muito próximos.

 

Mais do que apontar os resultados consolidados da safrinha atual, este levantamento deixa clara a importância de pesquisas detalhadas em cada região para que produtores identifiquem qual é, para a sua área em específico, a cultura mais rentável em cada período.

 

 

Cascavel 07/08

Londrina 07/08

 

Milho safrinha

Trigo

Milho safrinha

Trigo

Insumos

 R$       882,90

 R$      558,78

 R$      721,94

 R$    655,69

Fertilizantes

 R$       478,00

 R$      265,00

 R$      371,49

 R$    305,48

Sementes

 R$       210,00

 R$      150,00

 R$      187,00

 R$    210,00

Herbicidas

 R$        53,00

 R$        36,50

 R$        57,64

 R$      27,11

Inseticidas

 R$        46,50

 R$         9,18

 R$        51,14

 R$      25,42

Fungicidas

 R$        35,40

 R$        54,00

 R$             -  

 R$      75,00

Trat. Semente

 R$        60,00

 R$        40,50

 R$        54,67

 R$      12,69

Adjuvante

 R$             -  

 R$         3,60

 R$             -  

 R$           -  

Prep. solo/Plantio

 R$       113,17

 R$        31,17

 R$        75,08

 R$      41,32

Tratos culturais

 R$       105,66

 R$      122,28

 R$        74,49

 R$      74,49

Colheita

 R$        70,75

 R$        56,60

 R$      139,09

 R$      65,45

Transp. da produção

 R$       128,00

 R$        29,60

 R$        75,00

 R$      40,00

Mão de obra

 R$        18,76

 R$        86,91

 R$        26,33

 R$       5,59

Comerc./Armaz.

 R$             -  

 R$             -  

 R$             -  

 R$           -  

Impostos

 R$        34,16

 R$        25,53

 R$        34,16

 R$      27,42

Seguro

 R$          2,79

 R$        12,85

 R$         6,88

 R$       8,04

Assistência técnica

 R$          5,96

 R$         6,42

 R$         2,07

 R$       6,32

Financ. Capital Giro

 R$        72,31

 R$        86,14

 R$        66,76

 R$      95,49

Custo Operacional

 R$    1.434,45

 R$   1.016,28

 R$   1.221,79

 R$ 1.019,81

Produtividade

75

37

             75,00

40

Preço médio

 R$        19,80

 R$        30,00