Setor produtivo reage aos abusos do Decreto 6514

Conab fará leilões para reforçar estoques públicos

Produção comercial sob risco

Governo estuda políticas de fertilizantes

Setor produtivo reage aos abusos do Decreto 6514

“Um ato do Executivo não pode alterar o que está previsto na legislação. Há uma flagrante inconstitucionalidade no Decreto 6514”, afirmou o presidente da Comissão Nacional do Meio Ambiente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Assuero Doca Veronez, após reunião, nesta quarta-feira (13/8), na sede da entidade, com representantes de segmentos do setor produtivo e de 16 Federações de Agricultura e Pecuária. Diante da ilegalidade, as instituições pretendem informar o Governo sobre os prejuízos que o Decreto causará à atividade produtiva. Mas, se não for possível negociar a flexibilização do texto legal, as entidades adotarão medidas jurídicas para evitar a inviabilização da atividade econômica. O presidente da CNA, Fábio de Salles Meirelles, defendeu a união dos segmentos da cadeia produtiva para buscar soluções conjuntas que detenham os efeitos do Decreto. “Precisamos enfrentar este quadro para consolidar o processo produtivo”, enfatizou.    

Segundo Veronez, a obrigatoriedade de reconstituição da reserva legal nas propriedades rurais imposta pelo Decreto 6514 provocará uma redução de 15% na área de produção agropecuária do País, o equivalente a 34,2 milhões de hectares. Publicado em 22 de julho, a nova legislação estabelece uma série de imposições para o cumprimento da legislação ambiental sob pena de sanções como a apreensão de rebanho, suspensão de atividades e embargo à venda de produtos, entre outras. “É uma contradição o Governo querer que o Brasil seja o principal fornecedor mundial de alimentos e baixar normas ambientais para engessar a atividade”, disse Assuero.

Na avaliação da CNA, o Decreto 6514 é ilegal por conter diversos dispositivos não previstos na Lei de Crimes Ambientais e por ferir o direito adquirido assegurado na Constituição. “Vamos estimular vários sindicatos rurais a entrar com ações judiciais”, afirmou Veronez. Entre os pontos mais polêmicos do decreto, mencionados pelo representante da CNA, está a obrigação do produtor de averbar áreas de reserva legal, sob pena de multas que variam de R$ 500 a R$ 100 mil de multas simples, além de multas diárias por hectare para quem não registrar a reserva em até 90 dias a partir da infração. Dependendo da situação, o valor a ser pago equivaleria a mais de 300 anos de produção de soja em Dourados, Mato Grosso do Sul, ou a 456 anos de atividade pecuária.     

Para o presidente da Comissão da CNA, a ilegalidade do Decreto, aliada à inaplicabilidade do Código Florestal Brasileiro, ocasionará impactos significativos para a produção rural, principalmente para a balança comercial. Assuero argumenta que o agronegócio brasileiro poderá ter sérios problemas de comercialização no futuro diante da exigência de certificação dos produtos por outros países, uma vez que um dos requisitos é relativo ao cumprimento da legislação ambiental. “A legislação hoje é obsoleta e não serve ao país que temos hoje. Precisa ser revista para não sofrermos barreiras não tarifárias”, afirmou.

Segundo o representante da CNA, a partir da vigência do Código Florestal, outras leis criaram novos percentuais e requisitos para cumprimento dos índices de reserva legal. Entretanto, ressaltou, “muitos produtores não têm os percentuais estabelecidos porque não estavam previstos em lei quando ocuparam suas áreas produtivas e os percentuais foram estabelecidos na base do achismo”. De acordo com Veronez, as regiões mais afetadas com o decreto são o Sudeste e o Sul do País, onde a produção agrícola foi incentivada pelo próprio Governo. Pela atual legislação, estas duas regiões, onde predomina o bioma da Mata Atlântica, o percentual de reserva legal a ser conservado é de 20%. Os outros percentuais são de 35% para o cerrado e de 80% para o bioma amazônico.

Veronez ponderou que, no Centro-Sul do País não há ativos ambientais para recompensar as áreas descobertas, ao contrário da Amazônia, onde 85% da região estão preservados. Ainda em relação a estas regiões, o presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente mostrou preocupação com outra imposição do decreto, que veda a atividade agropecuária em Áreas de Preservação Permanente (APPs). Segundo ele, estão localizadas nestas regiões 80% da produção de café de Minas Gerais, 100% da maçã de Santa Catarina, mais de 50% da uva no Rio Grande do Sul, além de boa parte da bacia leiteira mineira, a cafeicultura do Espírito Santo e a cana-de-açúcar no Nordeste.                  

Audiência pública – A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR), da Câmara dos Deputados, aprovou para a próxima quarta-feira (20/8) a realização de audiência pública com o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, para discutir os efeitos do Decreto 6514. Segundo o deputado Eduardo Moura (PPS/MT), também deverá ser votado, na próxima semana, requerimento do deputado Marcos Montes (DEM/MG) para aprovação de anteprojeto de Decreto Legislativo sustando os efeitos do Decreto 6514. Prevista para hoje (13/8), a votação da matéria acabou adiada devido ao encerramento da sessão.         

 

 

Conab fará leilões para reforçar estoques públicos

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vai iniciar a compra direta de até 200 mil toneladas de milho e lançar contratos de opção pública para aquisição de outras 200 mil t do cereal. Os avisos, com as regras das operações, serão publicados ainda nesta semana, no site da estatal. O primeiro leilão de compra ocorre na próxima semana. Serão quatro rodadas, cada uma com 50 mil toneladas, durante quatro semanas. Nesta primeira, o grão a ser negociado é do norte do Mato Grosso.

Já os contratos de opção terão vencimento em 30 de setembro. Segundo o presidente da Conab, Wagner Rossi, essas medidas fazem parte da política de ampliação dos estoques públicos dos produtos básicos, determinada pelo presidente Lula e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. “A formação de estoques, que tem funções estratégicas e reguladoras, fortalecerá a capacidade do governo de apoiara agricultura e, ao mesmo tempo, assegurar o abastecimento de alimentos a preços razoáveis”, afirma.

Os leilões serão realizados pelo sistema eletrônico da Companhia. Os produtores interessados em vender o produto devem autorizar um corretor de uma bolsa de mercadorias e cereais a darem os lances em seu nome, como é de praxe neste tipo de operação. Mais informações: www.conab.gov.br.

 

 

Produção comercial sob risco

Mesmo com a sobrevalorização do real frente ao dólar, que beneficiou a importação de cebolas oriundas da Argentina, a produção em Minas Gerais deve registrar alta de 70% no segundo semestre de 2008. Com perspectiva de registrar 116 mil toneladas neste ano, ante 68 mil toneladas somadas no exercício anterior, o Estado mantém uma área de 2,4 mil hectares. No entanto, de acordo com Pierre Vilela, assessor técnico da FAEMG, a produção de cebola no país deve deixar de se tornar comercial nos próximos anos, já que o produto argentino é mais barato do que o nacional.

“O cultivo da cebola requer custos onerosos e a tecnologia argentina é superior à brasileira”, diz Pierre Vilela. Na década de 90, a abertura comercial da produção de cebola argentina foi estimulada por acordos firmados pelo Mercosul. Ainda segundo Vilela, as regiões de produção, tanto na Argentina quanto no Brasil, continuam as mesmas dos últimos 30 anos, havendo mudança apenas na quantidade produzida. 'A produção de cebola argentina aumenta quando há alta demanda de abastecimento para o mercado brasileiro', explica.Diário do Comércio

 

 

Governo estuda políticas de fertilizantes

Estudo do governo para definir políticas de fertilizantes foi apresentado ontem, (18/08/08), em Brasília, pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, durante reunião da Câmara Temática de Insumos Agropecuários. “No caso dos nitrogenados, a auto-suficiência deve ocorrer no prazo de cinco a dez anos. Em relação ao potássio, importamos 91%. Devemos estudar as minas de Nova Olinda, Amazonas, além duas jazidas em Sergipe, que ainda não estão sendo exploradas. Além disso, devemos fazer análises mais profundas sobre a ocorrência de potássio no Recôncavo Baiano.”

O ministro disse que o Brasil possui minas de fósforo suficientes, que precisam ser melhor exploradas. “Também devemos abrir novos mercados nesse setor. O Egito, que vai aumentar sua produção de fósforo, está interessado em encontrar parceiros na exploração de suas minas e fazer contratos de médio e longo prazos”, enfatizou. De acordo com o presidente da Câmara Temática de Insumos, Cristiano Walter Simon, o agricultor tem racionalizado o uso do fertilizante pela correção da acidez do solo e uso mais racional do calcário, obtendo melhor absorção de nutriente pelas plantas.