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Minas amplia área de grãos e safra 2009 pode ser recorde
Minas Gerais pode ter uma safra histórica de grãos em 2009. A
primeira estimativa oficial da safra a ser colhida em todo o país no
ano que vem foi divulgada, nesta quarta-feira (8), pela Companhia
Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo o levantamento, a
produção de grãos no Estado deve ficar entre 10,31 milhões e 10,49
milhões de toneladas. Um crescimento entre 0,8% e 2,6% em relação à
produção deste ano, que foi de 10,22 milhões de toneladas. Se a
estimativa mais otimista se confirmar, a safra mineira também supera
a produção recorde de 2005, que foi de 10,41 milhões de toneladas.
Já a área plantada com grãos em Minas Gerais deverá ficar entre 2,89
milhões de hectares e 2,93 milhões de hectares. Um crescimento entre
2,3% e 3,8% em relação à safra anterior. “Os sinais são positivos em
relação à compra de fertilizantes para a safra que começa a ser
plantada, mesmo com a alta do preço dos insumos”, comenta o
secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de
Minas Gerais, Gilman Viana Rodrigues.
Tanto na taxa de crescimento da produção quanto na referente à área
plantada, Minas deve superar a média nacional. Segundo a Conab, o
Brasil deve ter uma produção de grãos entre 142,02 milhões e 144,55
milhões de toneladas em 2009. A variação em relação à safra de 2008
é de -1,2% a 0,5%. Em relação à área plantada, o país deve
apresentar um acréscimo entre 1,2% e 2,7%. “Desejamos que haja
disponibilidade de crédito para a economia, reduzindo os efeitos da
crise mundial”, comenta o secretário.
Seguindo a tendência de 2008, a cultura do milho deverá ser o grande
destaque em Minas Gerais. O crescimento estimado da produção fica
entre 1,6% e 4%, podendo chegar a 6,89 milhões de toneladas, mais
uma produção recorde no Estado. A área plantada com milho deve ter
um crescimento entre 3,9% e 6,3%. Já a média nacional indica queda
da produção e da área plantada.
A produção do feijão de primeira safra em Minas Gerais deve ficar
entre 203 mil e 207 mil toneladas. Um aumento que varia de 0,8% a
2,7% em relação à última safra. Os bons preços pagos aos produtores
refletem-se no aumento estimado entre 4% e 6% da área plantada.
A soja deve apresentar um pequeno acréscimo da área plantada, entre
0,5% e 1%. Porém a produção deve cair entre 2,2% e 1,7%, ficando
entre 2,48 milhões de toneladas e 2,49 milhões de toneladas. A queda
é explicada porque nesta primeira previsão, o cálculo da
produtividade nas lavouras é feito levando-se em consideração a
média dos últimos cinco anos.
José Alencar garante apoio às medidas de combate à crise da pecuária
de leite
O Vice-Presidente da República, José Alencar Gomes da Silva, entrará
em contato com o Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, para
manifestar seu apoio às medidas sugeridas pela Câmara Setorial da
Cadeia Produtiva do Leite e Derivados para enfrentar a crise da
pecuária leiteira, causada pelo aumento de 14% da produção leiteira,
a retração de 8% no consumo do mercado interno e a conseqüente queda
no preço pago ao produtor. Entre as medidas emergenciais solicitadas
ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) está a
liberação de linha de crédito de R$ 300 milhões para estocar volume
de 400 milhões de litros e mais R$ 100 milhões para escoar o
excedente de um bilhão de litros de leite.
Após ouvir um relato sobre a gravidade da crise, em audiência, hoje,
com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de
Minas Gerais (FAEMG), Roberto Simões, acompanhado pelos presidentes
da Comissão do Leite da entidade, Eduardo Dessimoni, e da Comissão
Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e
Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim, o Vice-Presidente mostrou
conhecer a atividade e se dispôs a ajudar a resolver as questões que
ameaçam o setor produtivo. Na audiência, as lideranças do setor
mostraram que a redução de mais de 35% no preço das principais
commodities lácteas no mercado internacional, somada ao aumento da
produção leiteira no primeiro semestre e a retração no consumo no
mercado interno provocaram queda significativa no preço do leite
pago aos produtores, o que praticamente inviabiliza a atividade no
País.
O setor estima que o atual excedente de produção seja da ordem de
1,4 bilhão de litros de leite, que segundo Roberto Simões “precisam
ser consumidos, estocados ou retirados das regiões produtoras para
impedir a continuidade do aviltamento do preço do leite”. Por esse
motivo, foi solicitada a liberação de linha de crédito para
escoamento da produção ao ministro da Agricultura, que garantiu
posteriormente faltar apenas alguns ajustes operacionais para o
lançamento dos contratos. Também foram solicitadas outras
providências ao MAPA, como a ampliação das compras governamentais
para os programas sociais de distribuição de leite e ações efetivas
no combate às fraudes.
Outra medida considerada importante pela Comissão Nacional de
Pecuária de Leite da CNA é a criação do programa de marketing
institucional do leite, com o objetivo de ampliar o consumo de
produtos lácteos. Em parceria com outras entidades do setor privado,
a Comissão já finalizou a proposta, em reunião na última
segunda-feira, em Brasília.
PIB do agronegócio deverá crescer 9,5% em 2008
O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro deverá
crescer 9,5% em 2008, estimativa inferior aos dois dígitos previstos
anteriormente pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
(CNA). Segundo Rosemeire Santos, assessora técnica da entidade, esta
redução na previsão decorre da crise financeira internacional que se
alastra há mais de uma semana. “O ritmo de crescimento do PIB
costuma ser menor no segundo semestre. Com a crise, pode cair ainda
mais”, afirmou, durante a divulgação dos Indicadores Rurais,
publicação elaborada pela CNA e Centro de Estudos Avançados em
Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP). Em 2007,
o PIB do setor teve variação de 7,88%, totalizando R$ 582,6 bilhões.
De janeiro a julho deste ano, a expansão está em 6,79%.
Segundo a assessora técnica da CNA, a volatilidade verificada no
mercado financeiro tem causado receio aos produtores rurais na hora
de fixar preços em contratos futuros e adotar o hedge, instrumento
de proteção utilizado contra oscilações no dólar. Ela informou que
apenas 24% dos produtores optaram por este mecanismo para a safra
2008/2009. No ano passado, nesta mesma época, este percentual era de
40% a 45%. “Muitos produtores ainda estão descobertos”, afirmou.
Disse ainda que, diante da dificuldade de financiamento para esta
safra, 80% dos insumos foram comercializados. “Quem não adquiriu os
insumos terá dificuldade de conseguir crédito para comprar”,
ressaltou. Em razão deste cenário, alertou, quem utilizar menos
insumo em uma área plantada menor, porém com mais tecnologia, poderá
manter o atual índice de produção. “Já quem usar menos insumos em
100% da área poderá reduzir a lavoura”, avaliou.
Balança Comercial – A CNA reduziu de US$ 74 bilhões para US$ 72
bilhões a projeção das exportações do agronegócio para 2008. No
entanto, o assessor técnico da Comissão Nacional de Comércio
Exterior da CNA, Matheus Zanella, ponderou que esta revisão para
baixo não decorre da crise financeira. “Este valor ainda é recorde
para o setor”, destacou. Segundo ele, o impacto da crise deverá
refletir na balança comercial no final do ano. Zanella estimou o
superávit comercial do setor em US$ 61 bilhões, diferença entre US$
72 bilhões em exportações e US$ 11 bilhões em importações.
Aumenta a pressão por recursos, leilões e rolagem de dívida
Os produtores iniciaram uma ofensiva para negociar com o governo
medidas consideradas fundamentais para irrigar o mercado de crédito
e garantir liquidez em pleno plantio da nova safra de grãos. A
frente quer a prorrogação da parcela das dívidas recém-renegociadas
com vencimento em 2008, a liberação de recursos para bancos e
tradings com o risco assumido pelo Tesouro Nacional, além da
realização de leilões de prêmios para o escoamento da produção de
soja.
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou que o governo
estuda a liberação de R$ 3,5 bilhões a R$ 5 bilhões em recursos dos
depósitos compulsórios para atender aos bancos privados. "Tínhamos
uma pauta de crédito de R$ 5 bilhões e o Banco do Brasil antecipou.
Não deve faltar crédito, porque o governo tem como suprir",
garantiu. Para as tradings, Stephanes acenou com uma "fórmula para
dar liquidez", mas não especificou o caminho. Fonte: Valor
Econômico.
Após socorro aos bancos, Lula pode ajudar a agricultura
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá atender pelo menos
parte da reivindicação do setor de agronegócio e ampliar o crédito
para os produtores. Lula foi alertado sobre a importância da
ampliação do crédito para evitar problemas às vésperas do início do
plantio da próxima safra. Ele avaliou que o fortalecimento do
agronegócio servirá como importante sinalizador externo sobre a
estabilidade da economia nacional, reduzindo o impacto das
turbulências internacionais.
Dentro dessa avaliação, o governo acha que, além da solidez do
agronegócio, o Brasil mantém posições importantes em outros setores
estratégicos, como na produção de ferro e de petróleo, que servem
para mostrar que o país ainda é "um porto seguro", mesmo na crise. O
presidente insiste que é necessária uma mobilização internacional
para impedir que as oscilações do mercado quebrem economias de
vários países. “Não podemos mais permitir que a economia virtual
comprometa a economia real.”
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