Minas amplia área de grãos e safra 2009 pode ser recorde

José Alencar garante apoio às medidas de combate à crise da pecuária de leite

PIB do agronegócio deverá crescer 9,5% em 2008

Aumenta a pressão por recursos, leilões e rolagem de dívida

Após socorro aos bancos, Lula pode ajudar a agricultura

 

Minas amplia área de grãos e safra 2009 pode ser recorde

 

Minas Gerais pode ter uma safra histórica de grãos em 2009. A primeira estimativa oficial da safra a ser colhida em todo o país no ano que vem foi divulgada, nesta quarta-feira (8), pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo o levantamento, a produção de grãos no Estado deve ficar entre 10,31 milhões e 10,49 milhões de toneladas. Um crescimento entre 0,8% e 2,6% em relação à produção deste ano, que foi de 10,22 milhões de toneladas. Se a estimativa mais otimista se confirmar, a safra mineira também supera a produção recorde de 2005, que foi de 10,41 milhões de toneladas.

 

Já a área plantada com grãos em Minas Gerais deverá ficar entre 2,89 milhões de hectares e 2,93 milhões de hectares. Um crescimento entre 2,3% e 3,8% em relação à safra anterior. “Os sinais são positivos em relação à compra de fertilizantes para a safra que começa a ser plantada, mesmo com a alta do preço dos insumos”, comenta o secretário de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Gilman Viana Rodrigues.

 

Tanto na taxa de crescimento da produção quanto na referente à área plantada, Minas deve superar a média nacional. Segundo a Conab, o Brasil deve ter uma produção de grãos entre 142,02 milhões e 144,55 milhões de toneladas em 2009. A variação em relação à safra de 2008 é de -1,2% a 0,5%. Em relação à área plantada, o país deve apresentar um acréscimo entre 1,2% e 2,7%. “Desejamos que haja disponibilidade de crédito para a economia, reduzindo os efeitos da crise mundial”, comenta o secretário.

 

Seguindo a tendência de 2008, a cultura do milho deverá ser o grande destaque em Minas Gerais. O crescimento estimado da produção fica entre 1,6% e 4%, podendo chegar a 6,89 milhões de toneladas, mais uma produção recorde no Estado. A área plantada com milho deve ter um crescimento entre 3,9% e 6,3%. Já a média nacional indica queda da produção e da área plantada.

 

A produção do feijão de primeira safra em Minas Gerais deve ficar entre 203 mil e 207 mil toneladas. Um aumento que varia de 0,8% a 2,7% em relação à última safra. Os bons preços pagos aos produtores refletem-se no aumento estimado entre 4% e 6% da área plantada.

 

A soja deve apresentar um pequeno acréscimo da área plantada, entre 0,5% e 1%. Porém a produção deve cair entre 2,2% e 1,7%, ficando entre 2,48 milhões de toneladas e 2,49 milhões de toneladas. A queda é explicada porque nesta primeira previsão, o cálculo da produtividade nas lavouras é feito levando-se em consideração a média dos últimos cinco anos.

 

 

 

 

 

 

José Alencar garante apoio às medidas de combate à crise da pecuária de leite

 

O Vice-Presidente da República, José Alencar Gomes da Silva, entrará em contato com o Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, para manifestar seu apoio às medidas sugeridas pela Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Leite e Derivados para enfrentar a crise da pecuária leiteira, causada pelo aumento de 14% da produção leiteira, a retração de 8% no consumo do mercado interno e a conseqüente queda no preço pago ao produtor. Entre as medidas emergenciais solicitadas ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) está a liberação de linha de crédito de R$ 300 milhões para estocar volume de 400 milhões de litros e mais R$ 100 milhões para escoar o excedente de um bilhão de litros de leite.

 

Após ouvir um relato sobre a gravidade da crise, em audiência, hoje, com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG), Roberto Simões, acompanhado pelos presidentes da Comissão do Leite da entidade, Eduardo Dessimoni, e da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Alvim, o Vice-Presidente mostrou conhecer a atividade e se dispôs a ajudar a resolver as questões que ameaçam o setor produtivo. Na audiência, as lideranças do setor mostraram que a redução de mais de 35% no preço das principais commodities lácteas no mercado internacional, somada ao aumento da produção leiteira no primeiro semestre e a retração no consumo no mercado interno provocaram queda significativa no preço do leite pago aos produtores, o que praticamente inviabiliza a atividade no País.

 

O setor estima que o atual excedente de produção seja da ordem de 1,4 bilhão de litros de leite, que segundo Roberto Simões “precisam ser consumidos, estocados ou retirados das regiões produtoras para impedir a continuidade do aviltamento do preço do leite”. Por esse motivo, foi solicitada a liberação de linha de crédito para escoamento da produção ao ministro da Agricultura, que garantiu posteriormente faltar apenas alguns ajustes operacionais para o lançamento dos contratos. Também foram solicitadas outras providências ao MAPA, como a ampliação das compras governamentais para os programas sociais de distribuição de leite e ações efetivas no combate às fraudes.

 

Outra medida considerada importante pela Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA é a criação do programa de marketing institucional do leite, com o objetivo de ampliar o consumo de produtos lácteos. Em parceria com outras entidades do setor privado, a Comissão já finalizou a proposta, em reunião na última segunda-feira, em Brasília.

 

 

 

 

 

PIB do agronegócio deverá crescer 9,5% em 2008

 

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro deverá crescer 9,5% em 2008, estimativa inferior aos dois dígitos previstos anteriormente pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Segundo Rosemeire Santos, assessora técnica da entidade, esta redução na previsão decorre da crise financeira internacional que se alastra há mais de uma semana. “O ritmo de crescimento do PIB costuma ser menor no segundo semestre. Com a crise, pode cair ainda mais”, afirmou, durante a divulgação dos Indicadores Rurais, publicação elaborada pela CNA e Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP). Em 2007, o PIB do setor teve variação de 7,88%, totalizando R$ 582,6 bilhões. De janeiro a julho deste ano, a expansão está em 6,79%.

 

Segundo a assessora técnica da CNA, a volatilidade verificada no mercado financeiro tem causado receio aos produtores rurais na hora de fixar preços em contratos futuros e adotar o hedge, instrumento de proteção utilizado contra oscilações no dólar. Ela informou que apenas 24% dos produtores optaram por este mecanismo para a safra 2008/2009. No ano passado, nesta mesma época, este percentual era de 40% a 45%. “Muitos produtores ainda estão descobertos”, afirmou. Disse ainda que, diante da dificuldade de financiamento para esta safra, 80% dos insumos foram comercializados. “Quem não adquiriu os insumos terá dificuldade de conseguir crédito para comprar”, ressaltou. Em razão deste cenário, alertou, quem utilizar menos insumo em uma área plantada menor, porém com mais tecnologia, poderá manter o atual índice de produção. “Já quem usar menos insumos em 100% da área poderá reduzir a lavoura”, avaliou.

 

Balança Comercial – A CNA reduziu de US$ 74 bilhões para US$ 72 bilhões a projeção das exportações do agronegócio para 2008. No entanto, o assessor técnico da Comissão Nacional de Comércio Exterior da CNA, Matheus Zanella, ponderou que esta revisão para baixo não decorre da crise financeira. “Este valor ainda é recorde para o setor”, destacou. Segundo ele, o impacto da crise deverá refletir na balança comercial no final do ano. Zanella estimou o superávit comercial do setor em US$ 61 bilhões, diferença entre US$ 72 bilhões em exportações e US$ 11 bilhões em importações.

 

 

 

 

 

Aumenta a pressão por recursos, leilões e rolagem de dívida

 

Os produtores iniciaram uma ofensiva para negociar com o governo medidas consideradas fundamentais para irrigar o mercado de crédito e garantir liquidez em pleno plantio da nova safra de grãos. A frente quer a prorrogação da parcela das dívidas recém-renegociadas com vencimento em 2008, a liberação de recursos para bancos e tradings com o risco assumido pelo Tesouro Nacional, além da realização de leilões de prêmios para o escoamento da produção de soja. 

 

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou que o governo estuda a liberação de R$ 3,5 bilhões a R$ 5 bilhões em recursos dos depósitos compulsórios para atender aos bancos privados. "Tínhamos uma pauta de crédito de R$ 5 bilhões e o Banco do Brasil antecipou. Não deve faltar crédito, porque o governo tem como suprir", garantiu. Para as tradings, Stephanes acenou com uma "fórmula para dar liquidez", mas não especificou o caminho. Fonte: Valor Econômico.

 

 

 

 

 

Após socorro aos bancos, Lula pode ajudar a agricultura

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá atender pelo menos parte da reivindicação do setor de agronegócio e ampliar o crédito para os produtores. Lula foi alertado sobre a importância da ampliação do crédito para evitar problemas às vésperas do início do plantio da próxima safra. Ele avaliou que o fortalecimento do agronegócio servirá como importante sinalizador externo sobre a estabilidade da economia nacional, reduzindo o impacto das turbulências internacionais.

 

Dentro dessa avaliação, o governo acha que, além da solidez do agronegócio, o Brasil mantém posições importantes em outros setores estratégicos, como na produção de ferro e de petróleo, que servem para mostrar que o país ainda é "um porto seguro", mesmo na crise. O presidente insiste que é necessária uma mobilização internacional para impedir que as oscilações do mercado quebrem economias de vários países. “Não podemos mais permitir que a economia virtual comprometa a economia real.”