Quebradeiras nas prefeituras mineiras

Diretoria reivindica medidas contra crise no campo

Deputado Aelton Freitas debate reflexos da crise na agricultura

Deputado Aelton Freitas pede incentivos para a pecuária leiteira

 

Quebradeiras nas prefeituras mineiras

Tem prefeito leiloando tudo que tem direito, e outros aproveitando para terminar o mandato como um bom samaritano e enchendo a prefeitura de funcionários.

No primeiro caso, é uma arma usada por prefeitos que querem leiloar o que tem na prefeitura para pagar as contas até 31 de dezembro. No outro caso, convocando todos os concursados é uma forma de terminar o mandato como um bom samaritano, dando emprego a quem precisa o que é um direito seu, porém, os próximos prefeitos devem ficar atentos, pois esse inchamento da prefeitura vai provocar um caos no próximo ano, onde a prefeitura ficará impedida de dar aumento ao funcionalismo público para não cometer crime de responsabilidade fiscal.

Em muitos casos, os prefeitos usam dessa artimanha para dificultar ao máximo a próxima administração, aí o próximo prefeito se enfia em problemas, e quem provocou o problema volta daqui a quatro anos como o “Salvador da Pátria”, uma atitude que deve ser analisada pelos eleitores de uma forma séria e sem paixão política.

Na maior parte dos casos o que se propõe de uma administração séria e honesta, acaba por vir ao final como uma “Má Administração”, falta de critérios e organização, e talvez de assessores mais competentes.

No início de 2008 esses prefeitos já conheciam o rombo dos cofres públicos, que chegou a R$ 7 bilhões, onde R$ 3 bilhões precisarão ser quitados até 31 de dezembro, caso eles não queiram correr o risco de sofrer as penalidades da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O montante refere-se a dívidas de curto prazo, como folha de pessoal e fornecedores, que não podem ser deixadas de herança para seus sucessores, exceto se no caixa houver recursos suficientes para quitá-las no ano que vem. Realidade que pelo menos há poucos meses não era verificada em 35% das prefeituras – ou 285 delas –, que amargaram uma conta no vermelho durante o ano de 2007.

Os dados fazem parte de um estudo realizado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) a partir de informações enviadas por 815 das 853 prefeituras mineiras à Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Os outros R$ 4.040.279.382,48 devidos referem-se a débitos de chamado longo prazo, como os contratos de empréstimo – que se arrastam ao longo do tempo. A LRF permite que esses débitos sejam transferidos, mas não pode ultrapassar o equivalente a 1,2 vezes a receita corrente líquida do município. O levantamento mostra que, até o início de 2008, nenhuma prefeitura de Minas Gerais ultrapassava o índice exigido na legislação.

A maior parte das cidades depende dos repasses do Imposto sobre Circulação de Mercadoria e prestação de Serviços (ICMS), do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para fazer face aos compromissos financeiros”. Com Marília Campos faz coro o presidente da Associação Mineira dos Municípios, Celso Cotta (PMDB), para quem a prorrogação das datas de recolhimento dos impostos atingirá sobretudo aos 494 municípios mineiros com população de até 10 mil habitantes.

Outro dado importante é o estado de abandono com que alguns novos prefeitos vão pegar os seus municípios, com prédios danificados, ruas cheias de buracos, pontes caindo, estradas rurais intransitáveis, e o pior de tudo, o sucateamento de caminhões, veículos e maquinários que poderiam ajudar na recuperação imediata do município. Em alguns municípios tivemos muitas inaugurações de obras, principalmente voltadas à saúde, mas entregues vazias, sem mobílias e equipamentos, que em muitos casos ficam mais caros que a própria obra, o que se torna mais um problema para o próximo prefeito.

Nesse momento cabe ao eleitor que foi tão importante na hora do voto, ver de perto como está sua cidade, e avaliar se de fato algumas administrações foi tão brilhante quanto se propagou, ou se foi mais publicidade que propriamente serviços prestados.

 

 

Diretoria reivindica medidas contra crise no campo

Mais de 700 pessoas compareceram à posse da diretoria da FAEMG, quinta-feira (20/11/08), em Belo Horizonte. O presidente reeleito, Roberto Simões, entregou ao vice-presidente da República, José Alencar, e ao governador em exercício, Antonio Anastasia, documento pedindo medidas urgentes para a crise do café, cana e leite. Tanto José Alencar como Anastasia ressaltaram que a agropecuária é setor prioritário para a economia nacional e mineira.

Os produtores amargam queda da renda e alta dos custos de produção. No caso do leite, o preço médio pago ao produtor está em torno de R$ 0,50 o litro, para um custo de produção de R$ 0,70. No ano passado, nesta mesma época, o produtor estava recebendo de R$ 0,85 até R$ 1,00 pelo litro de leite. Ao mesmo tempo, os preços dos insumos subiram 60%. Esta crise tem contornos mais graves em Minas, responsável por um terço da produção nacional de leite, com produção de 7,4 bilhões de litros em 2007.

Os cafeicultores também enfrentam problemas, pois as últimas chuvas de granizo causaram prejuízos nas regiões produtoras e o acesso ao crédito é restrito. O Estado lidera a produção nacional de café, com 22,9 milhões de sacas previstas para a safra 2008/2009, o que corresponde a 50,3% da produção nacional. No caso do setor sucroalcooleiro, o principal problema é a falta de recursos: há usinas que não estão pagando seus fornecedores pela baixa disponibilidade de crédito, reflexo da crise global.

Presente à solenidade, a senadora Kátia Abreu, presidente eleita da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), advertiu: “Daqui para frente, nós não mais aceitaremos, deste ou de qualquer outro governo, que políticas possam ser formuladas e nós tenhamos que aceitar sem consentir. Queremos participar dessa grande política agrícola que deverá ser reajustada, mantendo a mesma fórmula do mundo inteiro: abastecimento sim, comida barata sim, mas renda no bolso de cada um de nós”.

Metas

Ao lado de Roberto Simões, compõem a diretoria-executiva da FAEMG o diretor-secretário, Marcos de Abreu e Silva; e o diretor-tesoureiro, João Roberto Puliti. O novo mandato vai até novembro de 2011. Entre as metas da diretoria, estão o incremento do processo de interiorização das ações da FAEMG, a consolidação da formação de novas lideranças e o fomento dos processos de gestão com qualidade nos negócios rurais. Também irá revigorar o programa de realização de grandes eventos.

Outro objetivo da diretoria reeleita é aumentar a prestação de serviços aos associados, para atrair um número cada vez maior de produtores ao Sistema Sindical Rural. Roberto Simões revela que a FAEMG pretende firmar convênios com grandes fornecedores, como empresas de seguros, de fertilizantes, de máquinas e veículos, estabelecendo compras conjuntas, com vantagens para os adquirentes. “Queremos dinamizar o nosso sistema”, acrescenta.

Sandra Donizete e Raquel Luiz estiveram representando o Sindicato Rural de Capinópolis.

 

 

 

 

Deputado Aelton Freitas debate reflexos da crise na agricultura

Em discurso na Câmara dos Deputados, o Deputado mineiro Aelton Freitas (PR/MG), fez mais um apelo ao Governo Federal para investimentos na agricultura brasileira. Aelton vem atuando de forma decisiva nessa questão, logo após o surgimento dos primeiros sinais da crise do mercado mundial e a possibilidade de reflexos na produção agrícola brasileira.

Para ele, o setor tem sido considerado como uma âncora verde fundamental para amenizar os efeitos que a crise financeira está provocando na economia brasileira. Por isso, apesar dos recentes investimentos federais, como a prorrogação do prazo para o pagamento de dívidas e a abertura de crédito, o Governo precisa estar atento às dificuldades enfrentadas pelo segmento, já que a próxima safra depende de investimentos.

“Essa atenção especial do Governo e de representantes do agronegócio são louváveis, pois, sabemos que o setor tem amargado perdas irreparáveis nos últimos anos e merece ser acompanhado de perto para que continue a dar os frutos que o país vem colhendo com a agricultura. Não é à toa que em tempos de crise, como esta que estamos atravessando, o agronegócio é o setor que ‘carrega o piano’ para o país, que ajuda a equilibrar as contas e continua a produzir, mesmo com em tempos difíceis”, esclareceu Aelton.

Freitas disse ainda que as reivindicações dos produtores visam uma boa colheita na próxima safra e a garantia das futuras, já que a agricultura brasileira é a principal atividade econômica de 4 mil municípios no país, sendo necessária para o equilíbrio da inflação e do superávit primário, além de alavancar a geração de emprego e renda de milhões de famílias.

O parlamentar acrescentou ainda que o Brasil possui todas as condições de assumir um papel relevante como fornecedor de alimentos para o mundo em um período de médio a longo prazos, mas que é fundamental a intervenção e investimento público nesse setor que, considerando toda a cadeia agrícola, responde por cerca de 32% do Produto Interno Bruto do país.

 

 

 

Deputado Aelton Freitas pede incentivos para a pecuária leiteira

Em discurso no plenário da Câmara dos Deputados, o parlamentar mineiro Aelton Freitas (PR/MG), cobrou do Governo Federal, incentivos que possam diminuir a crise que passa o setor lácteo brasileiro.

O Deputado afirmou que tem acompanhado de perto as dificuldades enfrentadas pelos pecuaristas leiteiros em Minas Gerais e que crise atingiu níveis alarmantes. Segundo Aelton, em regiões como o Triângulo Mineiro, Sul de Minas, Alto Paranaíba e na principal bacia leiteira do Estado, Pompéu, as reclamações são as mesmas: preços baixos e custo alto de produção, com o preço do litro de leite pago ao produtor não ultrapassando os R$ 0,50 centavos, enquanto o custo com os insumos é de R$ 0,70 centavos.

“Em minhas recentes andanças pelo interior de Minas Gerais tenho observado que no nível em que as coisas estão, mais e mais famílias terão dificuldades em continuar tocando seu negócio que muitas vezes é o único meio de sustento da família. Recentemente, a classe fez um protesto em meu Estado e é claramente perceptível se tratarem de reclamações justas, pois pequenos e médios produtores familiares estão vendo sua condição financeira definhar ano a ano”, destacou Freitas.

De acordo com Aelton, o preço do leite longa vida no varejo diminuiu cerca de 33%, enquanto os preços dos insumos e ração continuam nas alturas. Além disso, a produção aumentou cerca de 20% nos últimos dois anos, levando ao excesso do produto no mercado. Para Freitas, o Governo precisa agir rapidamente para que as perdas não sejam ainda maiores. “Um dos aspectos de maior importância nesse momento é incentivar o consumo interno, o que poderia ser feito incluindo o leite de forma obrigatória na merenda escolar e com o Governo adquirindo o produto para doar às instituições filantrópicas e assistenciais, que atendem famílias carentes. Além disso, diante da atual situação de mercado, é louvável considerar a adoção de mecanismos que incentivem a produção, como a retirada ou a diminuição de impostos que incidem na cadeia produtiva do leite, incentivando o consumo interno, por meio de campanhas publicitárias”, sugeriu.

Aelton Freitas apontou os dados do Ministério da Agricultura, segundo os quais a produção de leite no país é de aproximadamente, 30 bilhões de litros. Desse total, cerca de 28 bilhões são consumidos no mercado interno, enquanto 01 bilhão é exportado e o restante se transforma em excedente. Para Aelton, o Governo precisa encontrar meios para que esse excedente seja consumido internamente e o produtor não amargue mais esse prejuízo.

“Minha preocupação com a base da cadeia pecuária leiteira é grande, não apenas por minha formação de agrônomo e minha condição de representante da classe agropecuária, mas também pelo fato de meu estado, Minas Gerais, ser o maior produtor do país, responsável por algo em torno de 30% da produção nacional, portanto, um dos estados mais prejudicados com a crise”, concluiu.